Os dias são sempre iguais em suas diferenças.
Quero dizer que há uma mesmice em tudo, mesmo quando há diferenças, e que os dias são sempre diferentes, mesmo quando existe a monotonia.
Para provar que os dias são sempre iguais, existem, além dos pessimistas, derrotistas e céticos de plantão, tem aquela ciência que mostra o ciclo terrestre e solar, e daí vem também a crendice mundial nos diversos horóscopos, que, porque tudo é sempre assim, se consegue prever atitudes e até mesmo medir o sucesso ou insucesso de um projeto antes mesmo que seja posto em prática.
Há também a ladainha constante do livro de Eclesiastes, que diz que tudo é vaidade e que os dias sempre passam iguais cada um com o seu própósito.
Tem aquele questionamento milenar do porque o sol faz sempre o mesmo percurso todos os dias.
E para provar que são sempre diferentes temos os pelos, as unhas, o nariz e as orelhas que não nos deixam esquecer.
Sempre estamos evoluindo, ainda mesmo quando a evolução não é pra melhor. Sempre estamos mudando, a cada conversa, a cada problema e cada solução, a cada discussão, a cada batalha e a cada trégua, ou mesmo a cada momento de marasmo e descanso.
Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005
Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005
É tão bom ser universotário!
Principalmente para quem teve a (in)felicidade de ser aprovado numa federal.
Modernismo pra quê? É bom ser tradicional e estar nas únicas instituições de ensino do país a não deixarem no esquecimento o velho e bom giz, tóxico e sujador como ele só. Pra quê aquela frescura de caneta e quadro magnético?
Ainda tem carteiras do tempo dos barões do café.
E os professores são altamente mobilizados. Estão sempre alertas e sempre pedem melhorias em suas greves (de salários). Não precisam se preocupar com melhorias nas condições em salas de aula.
Estão tão bem apoiados pelos DCEs e CAs, que sempre apoiam suas greves e nunca perdem a oportunidade de sujarem e pixarem a universidade com dinheiro público nas suas campanhas eleitoreiras.
E a carteirinha de estudante? Que massa. Não vale meia em show nenhum que não seja de graça. Vale em todo o território nacional, mas museus e exposições simplesmente não a reconhecem, e claro que a UNE não faz nada. A UNE é tão atarefada na campanha política! Ano que vem já tem eleição para as câmaras, senado e governos, além é claro da presidência.
Mas os acadêmicos não ficam abandonados, não. O CA tem sempre uma festinha toda semana, seja o de econofria, ou de biolorgia ou qualquer outro.
Prova? Claro que tem. É naquele dia que o professor passa um papel para nossa avaliação e vai para a cantina assistir futebol ou a novela.
Estou tão empolgado com a volta às aulas!
Modernismo pra quê? É bom ser tradicional e estar nas únicas instituições de ensino do país a não deixarem no esquecimento o velho e bom giz, tóxico e sujador como ele só. Pra quê aquela frescura de caneta e quadro magnético?
Ainda tem carteiras do tempo dos barões do café.
E os professores são altamente mobilizados. Estão sempre alertas e sempre pedem melhorias em suas greves (de salários). Não precisam se preocupar com melhorias nas condições em salas de aula.
Estão tão bem apoiados pelos DCEs e CAs, que sempre apoiam suas greves e nunca perdem a oportunidade de sujarem e pixarem a universidade com dinheiro público nas suas campanhas eleitoreiras.
E a carteirinha de estudante? Que massa. Não vale meia em show nenhum que não seja de graça. Vale em todo o território nacional, mas museus e exposições simplesmente não a reconhecem, e claro que a UNE não faz nada. A UNE é tão atarefada na campanha política! Ano que vem já tem eleição para as câmaras, senado e governos, além é claro da presidência.
Mas os acadêmicos não ficam abandonados, não. O CA tem sempre uma festinha toda semana, seja o de econofria, ou de biolorgia ou qualquer outro.
Prova? Claro que tem. É naquele dia que o professor passa um papel para nossa avaliação e vai para a cantina assistir futebol ou a novela.
Estou tão empolgado com a volta às aulas!
Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005
Nada com coisa nenhuma
Tem dias em que a gente tá meio sem vontade de fazer qualquer coisa, e meio sem vontade de ficar parado.
Tem todos os problemas cotidianos do trabalho, contas pra pagar, coisas pra comprar, telefonemas para dar, correspondência pra atualizar e compromissos pra cumprir. Mesmo assim cadê a vontade de fazer algo?
Vontade apenas de falar abobrinha recheada com geletina de morango, de ler os livros pseudogeniais dos paulos coelhos da vida sabendo-se que se vai interromper a leitura sem se sentir culpa por isso.
Vontade de comer um vidro de tremoço e beber água só pra se sentir pesado e ter desculpa pra ficar peidando barulhento.
Vontade de ir pra sinuca e resolver todos os problemas da política internacional com a "sabedoria" dos comentaristas de futebol.
De assistir um filme inteligentíssimo como "soldado universal" do imperdível jean-claude van damme.
Tem dias que dá vontade de bater altos papos com o cachorro vadio que deitou ao nosso lado na parada de ônibus só pra ver os outros olharem pra gente com cara de medo quando a gente sorri. Ou de ligar praquele desafeto só pra passar trote ou pra mandá-lo praquele lugar e desligar antes que ele reconheça a sua voz.
Num dia assim tanto faz se as energias estiverem repostas ou se a gente esteja precisando trocar o óleo, o importante é fazer coisas sem nexo, ainda que só mentalmente, pra gente ficar rindo sozinho e quando alguém perceber, a gente contar uma piada bem sem graça do tipo nada a ver só pra desconversar.
Tem dia que a gente tem até mesmo a vontade de escrever baboseira sem compromisso com ética, estilo ou coerência.
Tem todos os problemas cotidianos do trabalho, contas pra pagar, coisas pra comprar, telefonemas para dar, correspondência pra atualizar e compromissos pra cumprir. Mesmo assim cadê a vontade de fazer algo?
Vontade apenas de falar abobrinha recheada com geletina de morango, de ler os livros pseudogeniais dos paulos coelhos da vida sabendo-se que se vai interromper a leitura sem se sentir culpa por isso.
Vontade de comer um vidro de tremoço e beber água só pra se sentir pesado e ter desculpa pra ficar peidando barulhento.
Vontade de ir pra sinuca e resolver todos os problemas da política internacional com a "sabedoria" dos comentaristas de futebol.
De assistir um filme inteligentíssimo como "soldado universal" do imperdível jean-claude van damme.
Tem dias que dá vontade de bater altos papos com o cachorro vadio que deitou ao nosso lado na parada de ônibus só pra ver os outros olharem pra gente com cara de medo quando a gente sorri. Ou de ligar praquele desafeto só pra passar trote ou pra mandá-lo praquele lugar e desligar antes que ele reconheça a sua voz.
Num dia assim tanto faz se as energias estiverem repostas ou se a gente esteja precisando trocar o óleo, o importante é fazer coisas sem nexo, ainda que só mentalmente, pra gente ficar rindo sozinho e quando alguém perceber, a gente contar uma piada bem sem graça do tipo nada a ver só pra desconversar.
Tem dia que a gente tem até mesmo a vontade de escrever baboseira sem compromisso com ética, estilo ou coerência.
Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005
Coisas do coração
Todos os grandes gênios da literatura mundial sempre compararam o amor à loucura. Então, escrever algo sobre isso tem por bom tom ser insano.
Pode até mesmo ser algo do tipo "as tranças do rei careca sentado na ponta de uma pedra redonda debaixo do calor causticante do sol antártico varrendo a poeira trazida pela brisa marinha".
Deve ser sempre exagerado, porque toda forma de exagero tem lá seu fundo de insanidade.
E pode ser completamente inteligível com palavras de peso que não tenham nenhuma conexão mas que causem um som agradável e faça os idiotas que lêem dizer óóóó!
Pra falar de amor não precisa estar apaixonado, basta ter uma idéia (ainda que própria) sobre o que venha a ser amor. Porque sempre haverá quem compartilhe desta idéia, e até quem discorde irá lhe dar ouvidos com a ênfase inversa que todo mundo dá quando o assunto é morte.
E por falar em amor e em morte, minha divagação sobre o amor hoje será em paralelo com a morte. O que não é propriamente novidade, visto as peças de Shakespeare ligarem uma coisa à outra de forma triste e cruel e tenha feito todo mundo dizer óóóó!
O amor é a morte.
A morte é forte e decisiva, quando vem pra alguém esta pessoa é vista como coitado e vira santo, é inevitável e mais forte do que o "agraciado" pelo seu beijo.
O amor é contundente e doloroso, quando escolhe alguém este é alvo fácil e fica completamente vulnerável, sem poder para responder a críticas e sem capacidade para aceitar sugestões.
A morte nos leva para junto do Criador e nos faz enxergar coisas até então inimagináveis que só quem já passou por ela poderá compreender, mas nunca no seu todo, porque vem de forma única para cada um, ainda que seja em meio a um evento coletivo.
O amor derruba todo o senso de bom ou ruim, de bem ou mal e nos leva de volta à condição inicial.
Um está tão próximo do outro como a dor e o prazer, porque um pode muito bem levar à outra ou vice-versa.
No amor não há norte ou sul. Na morte não há nascente ou poente.
Ambos trazem em si mesmos o conceito completo pela sua simples pronúncia. Pela simples pronúncia de seus nomes o amor ou a morte trazem mil idéias a quem quer que seja, mesmo aos céticos.
São o casamento perfeito, causa e efeito, romantismo e reladidade, cara e coroa.
O que se dizer diante da afirmição de que alguém te ama?
Ou o que fazer diante da execução da tua morte?
E ambos, dependendo do uso que se faça da bagagem adquirida vida à fora, podem trazer esperança ou medo.
Pode até mesmo ser algo do tipo "as tranças do rei careca sentado na ponta de uma pedra redonda debaixo do calor causticante do sol antártico varrendo a poeira trazida pela brisa marinha".
Deve ser sempre exagerado, porque toda forma de exagero tem lá seu fundo de insanidade.
E pode ser completamente inteligível com palavras de peso que não tenham nenhuma conexão mas que causem um som agradável e faça os idiotas que lêem dizer óóóó!
Pra falar de amor não precisa estar apaixonado, basta ter uma idéia (ainda que própria) sobre o que venha a ser amor. Porque sempre haverá quem compartilhe desta idéia, e até quem discorde irá lhe dar ouvidos com a ênfase inversa que todo mundo dá quando o assunto é morte.
E por falar em amor e em morte, minha divagação sobre o amor hoje será em paralelo com a morte. O que não é propriamente novidade, visto as peças de Shakespeare ligarem uma coisa à outra de forma triste e cruel e tenha feito todo mundo dizer óóóó!
O amor é a morte.
A morte é forte e decisiva, quando vem pra alguém esta pessoa é vista como coitado e vira santo, é inevitável e mais forte do que o "agraciado" pelo seu beijo.
O amor é contundente e doloroso, quando escolhe alguém este é alvo fácil e fica completamente vulnerável, sem poder para responder a críticas e sem capacidade para aceitar sugestões.
A morte nos leva para junto do Criador e nos faz enxergar coisas até então inimagináveis que só quem já passou por ela poderá compreender, mas nunca no seu todo, porque vem de forma única para cada um, ainda que seja em meio a um evento coletivo.
O amor derruba todo o senso de bom ou ruim, de bem ou mal e nos leva de volta à condição inicial.
Um está tão próximo do outro como a dor e o prazer, porque um pode muito bem levar à outra ou vice-versa.
No amor não há norte ou sul. Na morte não há nascente ou poente.
Ambos trazem em si mesmos o conceito completo pela sua simples pronúncia. Pela simples pronúncia de seus nomes o amor ou a morte trazem mil idéias a quem quer que seja, mesmo aos céticos.
São o casamento perfeito, causa e efeito, romantismo e reladidade, cara e coroa.
O que se dizer diante da afirmição de que alguém te ama?
Ou o que fazer diante da execução da tua morte?
E ambos, dependendo do uso que se faça da bagagem adquirida vida à fora, podem trazer esperança ou medo.
Domingo, Fevereiro 13, 2005
Coisas de quem não tem o que fazer
Quem não tem o que fazer gosta sobre tudo de falar da vida alheia.
Pra isso não precisa propriamente ser um fofoqueiro de carteirinha, basta apenas não ter mesmo nada melhor pra se fazer.
Tem aquelas pessoas que precisam ficar desocupadas para terem tempo de reparar na vida alheia. Esses são os fofoqueiros compulsivos.
Tem também aquele que não fica de olho na vida de todo mundo, mas não perde um detalhe da vida de um desafeto para poder ter munição para uma possível ou iminente guerra. Estes são os estrategistas.
Mas tem os bem mais mansos e que só representam ameaças a si próprios, quando muito aos familiares que terão que limpar o vômito na manhã seguinte. São os bêbados. Sabe como é, né? Conversa de bar... uma loura gelada (que sempre apresenta as irmãs)... um tira-gosto e todos os assutos dos jornais, da rádio-corredor do trabalho e daquilo que já se ouviu falar daquela pessoa que está na mesa ao lado (outro dia eu vi a princesa Fiona, namorada do Shrek, sério, só faltava ser verde!) e as conversas seguem sempre envolvendo assuntos que não dizem respeito aos interlocutores e que normalmente fazem parte da vida que deveria ser privada dos outros.
Semelhantes a estes têm as pessoas que fazem parte de grupos fechados. Os paneleiros são aquela turma da faculdade, do time ou do trabalho que por força de horário terminam passando mais tempo acordado juntos entre si do que em companhia até da família. E, claro, quanto o assunto oficial se esgota, ou quando se está precisando desopilar, falar da vida alheia é sempre relaxante e divertido.
Tem também os grandes amigos casuais que normalmente não sabemos o nome mas que sempre encontramos numa fila ou sala de espera. Os fofoqueiros de ocasião também são especialistas em vida dos outros. Sabem tudo com detalhes tanto dos bastidores do poder quanto de tratamentos médicos suis-generis.
Além desses têm outras categorias que com certeza você conhece, se é que não faz parte de um grupo assim.
Se quiser, você pode me contar algum relato ou experiência. Pode confiar. Não se preocupe, ninguém vai estar falando de ninguém mesmo!
Pra isso não precisa propriamente ser um fofoqueiro de carteirinha, basta apenas não ter mesmo nada melhor pra se fazer.
Tem aquelas pessoas que precisam ficar desocupadas para terem tempo de reparar na vida alheia. Esses são os fofoqueiros compulsivos.
Tem também aquele que não fica de olho na vida de todo mundo, mas não perde um detalhe da vida de um desafeto para poder ter munição para uma possível ou iminente guerra. Estes são os estrategistas.
Mas tem os bem mais mansos e que só representam ameaças a si próprios, quando muito aos familiares que terão que limpar o vômito na manhã seguinte. São os bêbados. Sabe como é, né? Conversa de bar... uma loura gelada (que sempre apresenta as irmãs)... um tira-gosto e todos os assutos dos jornais, da rádio-corredor do trabalho e daquilo que já se ouviu falar daquela pessoa que está na mesa ao lado (outro dia eu vi a princesa Fiona, namorada do Shrek, sério, só faltava ser verde!) e as conversas seguem sempre envolvendo assuntos que não dizem respeito aos interlocutores e que normalmente fazem parte da vida que deveria ser privada dos outros.
Semelhantes a estes têm as pessoas que fazem parte de grupos fechados. Os paneleiros são aquela turma da faculdade, do time ou do trabalho que por força de horário terminam passando mais tempo acordado juntos entre si do que em companhia até da família. E, claro, quanto o assunto oficial se esgota, ou quando se está precisando desopilar, falar da vida alheia é sempre relaxante e divertido.
Tem também os grandes amigos casuais que normalmente não sabemos o nome mas que sempre encontramos numa fila ou sala de espera. Os fofoqueiros de ocasião também são especialistas em vida dos outros. Sabem tudo com detalhes tanto dos bastidores do poder quanto de tratamentos médicos suis-generis.
Além desses têm outras categorias que com certeza você conhece, se é que não faz parte de um grupo assim.
Se quiser, você pode me contar algum relato ou experiência. Pode confiar. Não se preocupe, ninguém vai estar falando de ninguém mesmo!
Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005
De louco...
... todo mundo tem muito. De médico nem sempre.
Sempre faço minhas loucuras, com ou sem razão, ainda que, por vezes, esta loucura não saia da minha cabeça. E essas são as piores.
Quando eu era menino gostava de jogar bola, mesmo sabendo que ia voltar com a canela roxa, pela minha pura falta de habilidade como jogador. Mesmo assim eu ia e às vezes me vangloriava quando acertava em cheio a canela de alguém mais chato que eu. E no campo de futebol ninguém é menos chato do que eu.
Também gostava de mexer no que não era meu e de fazer coisas proibidas, mesmo sabendo que iria levar uma surra.
Fui crescendo e comigo a doideira crescia junto, como não podia deixar de ser.
Começou a puberdade e a fertilidade florescia em mim idéias não só bagunceiras, mas agora em todas as áreas.
Depois desisti de ser vagabundo e comecei a querer estudar pra ser alguém. Olha só que doideira perigosa!
Aliada a esta vieram outras tanto ou piores.
Uma estranha obsessão em querer namorar sempre me fazia ir além do que o bom senso dizia e a atração pelo sexo oposto foi se tornando cada vez maior, e embora a loucura não esteja no sexo oposto, a atração...
Com o tempo fui vendo que não sou tão bom quanto penso no fundo do coração, mas que também não sou de todo imprestável. Percebi que não sou o melhor mas que tenho vantagens. E percebi que vou mesmo morrer.
Na minha mente já tive também meus atos sensatos como mandar o chefe tomar algo, ou assediar animalescamente aquela pessoa que teimava em ser irresistível ou em fazer gestos obscenos para o guarda de trânsito depois que passasse pela blitz com todos os documentos em dia.
Minhas loucuras permanecem hoje em gostar de coisas que outras pessoas julgam ser absolutamente desnecessárias ou insanas, e sempre tem alguém que não concorda.
E uma delas é escrever textos e deixar inconclusos.
Sempre faço minhas loucuras, com ou sem razão, ainda que, por vezes, esta loucura não saia da minha cabeça. E essas são as piores.
Quando eu era menino gostava de jogar bola, mesmo sabendo que ia voltar com a canela roxa, pela minha pura falta de habilidade como jogador. Mesmo assim eu ia e às vezes me vangloriava quando acertava em cheio a canela de alguém mais chato que eu. E no campo de futebol ninguém é menos chato do que eu.
Também gostava de mexer no que não era meu e de fazer coisas proibidas, mesmo sabendo que iria levar uma surra.
Fui crescendo e comigo a doideira crescia junto, como não podia deixar de ser.
Começou a puberdade e a fertilidade florescia em mim idéias não só bagunceiras, mas agora em todas as áreas.
Depois desisti de ser vagabundo e comecei a querer estudar pra ser alguém. Olha só que doideira perigosa!
Aliada a esta vieram outras tanto ou piores.
Uma estranha obsessão em querer namorar sempre me fazia ir além do que o bom senso dizia e a atração pelo sexo oposto foi se tornando cada vez maior, e embora a loucura não esteja no sexo oposto, a atração...
Com o tempo fui vendo que não sou tão bom quanto penso no fundo do coração, mas que também não sou de todo imprestável. Percebi que não sou o melhor mas que tenho vantagens. E percebi que vou mesmo morrer.
Na minha mente já tive também meus atos sensatos como mandar o chefe tomar algo, ou assediar animalescamente aquela pessoa que teimava em ser irresistível ou em fazer gestos obscenos para o guarda de trânsito depois que passasse pela blitz com todos os documentos em dia.
Minhas loucuras permanecem hoje em gostar de coisas que outras pessoas julgam ser absolutamente desnecessárias ou insanas, e sempre tem alguém que não concorda.
E uma delas é escrever textos e deixar inconclusos.
Sábado, Fevereiro 05, 2005
O amor é um grande laço
Já cantavam os Beatles que tudo de que precisamos é de amor, ou como dizem os americanos, há uma palavra e ela é amor, e todo mundo gosta de se sentir amado (na verdade mais do que amar).
Carnaval é tempo de procurar o amor eros, afinal é época de Momo, ou Baco, e beijar na boca é muito bom. Não mata a fome, mas abre o apetite.
Bem, o que falta então pra que todo mundo veja o dia nascer feliz?
Consciência de que amor nesse nível é só uma forma de alimentar o egoísmo. É querer se satisfazer e sentir prazer nisso, porque nesta forma de amar ninguém quer ficar a ver navios.
Procuram-se produtos para viajar, ficar alegre e sair do próprio controle para se ter as desculpas necessárias para fazer tudo o que o bom senso ou a moral nos proibem, e que se dane o mundo.
Somos predadores, e pior, do topo da cadeia alimentar, e por isso mesmo não servimos para servir aos outros, mesmo os de nossa espécie. Na verdade só serviremos à cadeia quando morrermos, e então serviremos somente aos da base da cadeia para permanência da nossa própria espécie no final das contas.
Fechar os olhos, relaxar e gozar está muito longe do sentido mais gostoso de amar. Não pode ser motivo, deve ser encarado apenas como bônus.
É muito bom poder estar atento aos outros e ajudá-los, ainda que eles nunca tenham sequer a chance de saber a quem agradecer. E quando tudo terminar, respirar fundo e sentir o prazer de saber que se fez a coisa certa.
E não é mesmo na conotação sexual que dar é melhor que receber.
Não digo que o sexo não seja bom, necessário e mesmo útil, é tudo isso, sim. É gostoso e deve fazer parte da vida, não só para perpetuação da espécie, porque todo mundo precisa dessas massagens no ego. Digo que que não deve ser tido como primordial. Ele sempre aparace e mais de uma vez, portanto não precisamos sair à caça desesperadamente.
E já que, de uma forma ou de outra, ele vem, é bem melhor gastar as energias e a busca em coisas que não vêm sem esforço, dedicação e coragem.
Carnaval é tempo de procurar o amor eros, afinal é época de Momo, ou Baco, e beijar na boca é muito bom. Não mata a fome, mas abre o apetite.
Bem, o que falta então pra que todo mundo veja o dia nascer feliz?
Consciência de que amor nesse nível é só uma forma de alimentar o egoísmo. É querer se satisfazer e sentir prazer nisso, porque nesta forma de amar ninguém quer ficar a ver navios.
Procuram-se produtos para viajar, ficar alegre e sair do próprio controle para se ter as desculpas necessárias para fazer tudo o que o bom senso ou a moral nos proibem, e que se dane o mundo.
Somos predadores, e pior, do topo da cadeia alimentar, e por isso mesmo não servimos para servir aos outros, mesmo os de nossa espécie. Na verdade só serviremos à cadeia quando morrermos, e então serviremos somente aos da base da cadeia para permanência da nossa própria espécie no final das contas.
Fechar os olhos, relaxar e gozar está muito longe do sentido mais gostoso de amar. Não pode ser motivo, deve ser encarado apenas como bônus.
É muito bom poder estar atento aos outros e ajudá-los, ainda que eles nunca tenham sequer a chance de saber a quem agradecer. E quando tudo terminar, respirar fundo e sentir o prazer de saber que se fez a coisa certa.
E não é mesmo na conotação sexual que dar é melhor que receber.
Não digo que o sexo não seja bom, necessário e mesmo útil, é tudo isso, sim. É gostoso e deve fazer parte da vida, não só para perpetuação da espécie, porque todo mundo precisa dessas massagens no ego. Digo que que não deve ser tido como primordial. Ele sempre aparace e mais de uma vez, portanto não precisamos sair à caça desesperadamente.
E já que, de uma forma ou de outra, ele vem, é bem melhor gastar as energias e a busca em coisas que não vêm sem esforço, dedicação e coragem.
Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005
Envelhecer é 10!
Crises de meia-idade à parte, é muito bom perceber que se está ficando velho e que não somos mais tão dependentes dos outros.
Sem esse papo de que os anos nos trazem experiência, maturidade e nos faz ver que a vida, com todas as suas complicações sempre nos proporciona saída para os problemas com soluções tão simples que chegam a ser rídiculas. Envelhecer nos proporciona principalmente um senso de independência que faz com que paremos de criar joguinhos afetivos para manter perto da gente amigos e amores, familiares e colegas de trabalho.
Ficamos mais céticos a promessas de amor eterno, mesmo quando saem das nossas bocas.
Ficamos mais sólidos às porradas que o dia-a-dia nos planta no meio da testa.
Ficamos menos suscetíveis aos subornos sentimentais ou às pressões do patrão.
E, principalmente, percebemos que podemos ter toda síndrome de peter pan que quisermos, todas as preferências que o mimo que nunca tivemos quiser nos dar e todo jogo de cintura pra nos livrarmos de encrencas financeiras, trabalhistas, familiares, sentimentais e religiosas que quisermos nos meter.
Envelhecer sempre vai aproximar da gente os mais jovens que precisam de algum tipo de ídolo ou líder e vais nos fazer sentir senhores de alguma razão quando os olhos desses jovens estiverem brilhando de prazer com a nossa sabedoria (que pode ser coisa nenhuma vinda de lugar algum).
Quando a gente fica mais velho percebe que a terra do nunca existe (sem citar Michael Jackson) porque nunca chegamos a onde queríamos ter chegado, mesmo que estejamos satisfeitos com o agora.
E o melhor ainda é que sempre vai ter alguém mais coroa que a gente pra do quisermos bancar os adolescentes.
Sem esse papo de que os anos nos trazem experiência, maturidade e nos faz ver que a vida, com todas as suas complicações sempre nos proporciona saída para os problemas com soluções tão simples que chegam a ser rídiculas. Envelhecer nos proporciona principalmente um senso de independência que faz com que paremos de criar joguinhos afetivos para manter perto da gente amigos e amores, familiares e colegas de trabalho.
Ficamos mais céticos a promessas de amor eterno, mesmo quando saem das nossas bocas.
Ficamos mais sólidos às porradas que o dia-a-dia nos planta no meio da testa.
Ficamos menos suscetíveis aos subornos sentimentais ou às pressões do patrão.
E, principalmente, percebemos que podemos ter toda síndrome de peter pan que quisermos, todas as preferências que o mimo que nunca tivemos quiser nos dar e todo jogo de cintura pra nos livrarmos de encrencas financeiras, trabalhistas, familiares, sentimentais e religiosas que quisermos nos meter.
Envelhecer sempre vai aproximar da gente os mais jovens que precisam de algum tipo de ídolo ou líder e vais nos fazer sentir senhores de alguma razão quando os olhos desses jovens estiverem brilhando de prazer com a nossa sabedoria (que pode ser coisa nenhuma vinda de lugar algum).
Quando a gente fica mais velho percebe que a terra do nunca existe (sem citar Michael Jackson) porque nunca chegamos a onde queríamos ter chegado, mesmo que estejamos satisfeitos com o agora.
E o melhor ainda é que sempre vai ter alguém mais coroa que a gente pra do quisermos bancar os adolescentes.
Assinar:
Postagens (Atom)

