Você é minha cocaína, já dizia o apaixonado dos anos setenta ao objeto de seu amor numa metáfora que queria dizer exatamente que ele não conseguia mais viver em paz ao estar longe. (como se vício fosse necessário!)
Todos temos nossas "cocaínas". Ou não?
Eu sou assumidamente viciado em cafeína, e deve ser cafeína mesmo, porque se eu não tomar café pela manhã ou Coca-cola ao longo do dia me bate uma dor de cabeça que eu (médico especialista como todos os técnicos de futebol do brasil) identifiquei como crise de abstinência.
Há também outras coisas com as quais não me sinto confortável pela ausência. Quando descobri a internet eu era assíduo freqüentador de chats, depois descobri o mIrc e cheguei até a criar uma novela mexicana on line em parceria com outros malucos da época. Fiquei, por motivo de força maior, ausente da grande rede por mais de dois anos e, acreditem, sobrevivi sem efeitos colaterais e nem sequer precisei tomar lexotan pra dormir!
Mas, a grande rede apareceu novamente na minha vida e minhas ocupações passaram a ser enviar e-mails, porque gosto muito de correspondências.
Saí de circulação por mais dois anos e voltei ano passado. E desta vez fui apresentado ao universo dos blogs. Criei coragem e comecei a publicar na rede alguns de meus poemas, e esta história eu já narrei em postagem recente.
Hoje o Coisas da Normandia está neste formato e desde que fui descoberto por essas pessoas maravilhosas, listadas aí ao lado, e outros que vira e mexe pintam por aqui, me senti gratamente obrigado a continuar escrevendo, empurrado pela responsabilidade dos elogios, e acho até que alguns textos meus foram muito bons.
E a crise de abstinência veio horrível. Fiquei ausente da rede desde segunda-feira. Estava louco pra ver os comentários do texto anterior e pra colocar novo texto. A ansiedade era tanta que eu nem tinha idéia sobre o que iria escrever.
Vindo pra cá estava na dúvida em escrever uma justificativa da ausência (mas ninguém precisa ficar lendo explicações) ou algo relacionado à ausência.
E me veio, assim que terminei de ver meus 186 e-mails não-lidos, esta idéia.
Ainda bem que há neste micro um winamp com centenas de rocks, o que sempre me ajudou quando preciso fazer algo que exija concentração (estudar em silêncio pra mim simplesmente não funciona).
Estas coisinhas absolutamente dispensáveis, mas que nos deixam incompletos, são bem chamadas de vício. Mas, são todas muito gostosas e fazem um bem danado à alma.
E Roberto Carlos estava errado. Nem tudo que é bom é ilegal, imoral ou engorda. Aleluia!
Sexta-feira, Julho 29, 2005
Domingo, Julho 24, 2005
Teoria do absurdo
Qual é o cúmulo do absurdo? Tomar uma condução de colherinha.
Recapitulando minhas idéias de blogs anteriores, sarcásticas ou não, vemos que em política é normal ser inútil e ainda ser bem pago por isso; que o amor e a morte se não são gêmeos são sósias, porque nem um nem outro deixa saída racional; que homens e mulheres podem ser safados ou não, dependendo da visão que se queira ter de si mesmo; que nossa capacidade inventiva pode nos levar a qualquer direção, depois mudar de direção, depois voltar, e outras coisas.
Ora, agora imaginemos que hajam políticos realmente interessados no bem estar do povo e que suas atitudes, ainda que questionáveis acontecem com a paixão que demonstram nos comícios e, quando erram, erram porque a paixão é irmã-gêmea da cegueira, como dizia Vinícius de Moraes.
Vamos pensar que nesse país de sangue quente e com tantas misturas todos passem a ser iguais tanto perante as leis, quanto perante nossos próprios preconceitos.
Que o carinho, o estudo, a formação cultural voltada ao raciocínio e à ética deixem de ser utopia.
Como será que seria se fosse?
Não haveria oposição política, não por ditadura, mas por consenso. A justiça prevaleceria em ambiente trabalhista, comercial e interrelacional. Sindicatos seriam dispensáveis e advogados e juízes teriam muito menos serviços e, conseqüentemente, muito menos pessoas estariam decepcionadas com o sistema.
O índice de mortes por dst, acidentes, agressões, erros médicos, falta de transplantes, doenças derivadas do estresse seria bem próximo do zero.
Enfim, perderiam emprego milhares de políticos, médicos (leia-se profissionais de saúde em geral), sindicalistas, advogados (êba!), juízes, policiais e outras pessoas que, cedo ou tarde, nos deixam profundamente irados. Isso sem falar em criminosos em geral.
Mas também teria muito comediante que perderia o emprego, ou que pelo menos teriam que trabalhar muito mais para garantir o sustento.
Acredito que tais mudanças seriam recompensadas e que as mentes inventivas do mal iria dar um jeito de ser inventivos para o bem.
A mesma crise iria recair sobre muitos dos blogueiros, tanto dos tipo dãã como dos que realmente têm conteúdo (ai de nós!). Se bem que eu mudaria alegremente a direção do meu texto.
Será mesmo necessário haver o mal para que o bem seja bom?
Recapitulando minhas idéias de blogs anteriores, sarcásticas ou não, vemos que em política é normal ser inútil e ainda ser bem pago por isso; que o amor e a morte se não são gêmeos são sósias, porque nem um nem outro deixa saída racional; que homens e mulheres podem ser safados ou não, dependendo da visão que se queira ter de si mesmo; que nossa capacidade inventiva pode nos levar a qualquer direção, depois mudar de direção, depois voltar, e outras coisas.
Ora, agora imaginemos que hajam políticos realmente interessados no bem estar do povo e que suas atitudes, ainda que questionáveis acontecem com a paixão que demonstram nos comícios e, quando erram, erram porque a paixão é irmã-gêmea da cegueira, como dizia Vinícius de Moraes.
Vamos pensar que nesse país de sangue quente e com tantas misturas todos passem a ser iguais tanto perante as leis, quanto perante nossos próprios preconceitos.
Que o carinho, o estudo, a formação cultural voltada ao raciocínio e à ética deixem de ser utopia.
Como será que seria se fosse?
Não haveria oposição política, não por ditadura, mas por consenso. A justiça prevaleceria em ambiente trabalhista, comercial e interrelacional. Sindicatos seriam dispensáveis e advogados e juízes teriam muito menos serviços e, conseqüentemente, muito menos pessoas estariam decepcionadas com o sistema.
O índice de mortes por dst, acidentes, agressões, erros médicos, falta de transplantes, doenças derivadas do estresse seria bem próximo do zero.
Enfim, perderiam emprego milhares de políticos, médicos (leia-se profissionais de saúde em geral), sindicalistas, advogados (êba!), juízes, policiais e outras pessoas que, cedo ou tarde, nos deixam profundamente irados. Isso sem falar em criminosos em geral.
Mas também teria muito comediante que perderia o emprego, ou que pelo menos teriam que trabalhar muito mais para garantir o sustento.
Acredito que tais mudanças seriam recompensadas e que as mentes inventivas do mal iria dar um jeito de ser inventivos para o bem.
A mesma crise iria recair sobre muitos dos blogueiros, tanto dos tipo dãã como dos que realmente têm conteúdo (ai de nós!). Se bem que eu mudaria alegremente a direção do meu texto.
Será mesmo necessário haver o mal para que o bem seja bom?
Quinta-feira, Julho 21, 2005
Dizem que pau que nasce torto morre torto...
Márcio, meu irmão, disse uma vez que o homem é o animal mais adaptável que existe. É verdade. O que para um predador é uma habilidade importantíssima.
O anofelino, mosquito transmissor da malária, costuma circular em horários de lusco-fusco, ao ocaso e aurora. Raramente são encontrados encontrados voando ao meio-dia porque não são muito resistentes ao sol. Raramente encontrados em noite escura porque não enxergam em infra-vermelho.
Cães são diurnos e gatos noturnos, por causa das suas visões escolhem horários opostos para suas atividades, embora possam se adaptar, de acordo com a necessidade, ao outro horário. Mas, uma vez adaptados raramente retornam a hábitos antigos.
Tem o ditado que diz que burro velho não aprende a puxar carroça.
Predadores como os gaviões, felinos e caninos, se acostumados a ração ou mesmo comida preparada, não conseguem aprender ou mesmo reaprender a caçar.
Mas nós não. Podemos aprender novas habilidades todos os dias, e aliás, para atividades que exijam cálculo e raciocínio quanto mais velhos, mais capazes somos.
Podemos ser criados em ambiente hostil e violento e aprender a ser doce e, se se fizer necessário, podemos agir com a mesma violência de antes, e até com mais eficiência.
Pode o homem ter nascido no sertão central e ir morar em Winnipeg. Pode ter nascido na Islândia e se tornar um próspero comerciante na Arábia Saudita. E tanto num como noutro caso pode voltar à sua origem e, embora sinta saudade, pode se adptar facilmente.
Pode nascer pobre, enricar, ficar pobre de novo e não perder o ânimo vivendo alegremente na pobreza ou lutar e enriquecer novamente.
O ser humano sabe viver a vida inteira ao lado de uma pessoa violenta e mesquinha e até gostar disso sem se tornar mesquinho e violento. Pode aprender a amar depois de passar por grandes decepções ou grandes perdas.
A necessidade é a mãe das invenções. E é nossa capacidade de inventar que nos torna tão adaptáveis. Não temos um genética com alto poder regenerativo como os lagartos, mas sabemos fazer transplantes de órgãos e até alterar a genética.
Não temos dentes tão cortantes quanto dos tubarões nem mandíbulas tão fortes quanto das hienas, mas sabemos construir talheres.
Não enxergamos o infra-vermelho, mas sabemos ver no escuro usando audição, tato e olfato.
Não enxergamos o ultra-violeta das correntes de ar como as aves, mas sabemos conduzir planadores através das térmicas.
Não temos organismo adptado a bruscas mudança de pressão e temperatura, mas sabemos construir escafandros.
Só não sabemos muito bem é dominar nosso instinto destruidor que mina, rouba, engana, mente e suborna. Mas, até para isso tem cura. "...Eu não sou pau, posso me regenerar"
O anofelino, mosquito transmissor da malária, costuma circular em horários de lusco-fusco, ao ocaso e aurora. Raramente são encontrados encontrados voando ao meio-dia porque não são muito resistentes ao sol. Raramente encontrados em noite escura porque não enxergam em infra-vermelho.
Cães são diurnos e gatos noturnos, por causa das suas visões escolhem horários opostos para suas atividades, embora possam se adaptar, de acordo com a necessidade, ao outro horário. Mas, uma vez adaptados raramente retornam a hábitos antigos.
Tem o ditado que diz que burro velho não aprende a puxar carroça.
Predadores como os gaviões, felinos e caninos, se acostumados a ração ou mesmo comida preparada, não conseguem aprender ou mesmo reaprender a caçar.
Mas nós não. Podemos aprender novas habilidades todos os dias, e aliás, para atividades que exijam cálculo e raciocínio quanto mais velhos, mais capazes somos.
Podemos ser criados em ambiente hostil e violento e aprender a ser doce e, se se fizer necessário, podemos agir com a mesma violência de antes, e até com mais eficiência.
Pode o homem ter nascido no sertão central e ir morar em Winnipeg. Pode ter nascido na Islândia e se tornar um próspero comerciante na Arábia Saudita. E tanto num como noutro caso pode voltar à sua origem e, embora sinta saudade, pode se adptar facilmente.
Pode nascer pobre, enricar, ficar pobre de novo e não perder o ânimo vivendo alegremente na pobreza ou lutar e enriquecer novamente.
O ser humano sabe viver a vida inteira ao lado de uma pessoa violenta e mesquinha e até gostar disso sem se tornar mesquinho e violento. Pode aprender a amar depois de passar por grandes decepções ou grandes perdas.
A necessidade é a mãe das invenções. E é nossa capacidade de inventar que nos torna tão adaptáveis. Não temos um genética com alto poder regenerativo como os lagartos, mas sabemos fazer transplantes de órgãos e até alterar a genética.
Não temos dentes tão cortantes quanto dos tubarões nem mandíbulas tão fortes quanto das hienas, mas sabemos construir talheres.
Não enxergamos o infra-vermelho, mas sabemos ver no escuro usando audição, tato e olfato.
Não enxergamos o ultra-violeta das correntes de ar como as aves, mas sabemos conduzir planadores através das térmicas.
Não temos organismo adptado a bruscas mudança de pressão e temperatura, mas sabemos construir escafandros.
Só não sabemos muito bem é dominar nosso instinto destruidor que mina, rouba, engana, mente e suborna. Mas, até para isso tem cura. "...Eu não sou pau, posso me regenerar"
Terça-feira, Julho 19, 2005
Todo mundo aprende sem que ensinem
Besteira. Besteira? Besteira. Besteira!
Hoje, nas minhas andanças de trabalho, eu vi um gatorinho de mais ou menos 3 anos catando a música Festa no Apê ao seu modo: "Hoje é festa lá no meu apê! Todo mundo é gay. Só faltá o Vanderlei."
Se alguém ensinou isso a ele eu não sei, mas nossa mente é capaz de conceber coisas daí pra pior por pura geração espontânea.
Veja aquele tipo de música que nunca fará parte da sua coleção e que nem por engano você irá baixar na rede. Basta alguém assobiar mal assobiado perto de você que você fica com o refrão o resto do dia na cabeça.
Quem não ficou repetindo dias seguidos a tal Florentina de Jesus?
Se gente chegar ao cinema com um atraso de meia hora, a gente só vai entender o enredo faltando quinze minutos pra terminar o filme, isso se a gente não se sentir tentado a assistir de novo pra captar tudo. Mas, sabe aquela novela que você detesta? Vendo uma cena você já sabe o que aconteceu e o que vai acontecer, sabe os nomes dos personagens e, se duvidar, até o nome autor.
Por que aprendemos mais piadas "sujas" do que piadas de salão? Porque simplesmente é mais fácil criar uma piada assim.
Há quem não saiba dizer um ai em inglês mas consegue cantadar Still loving you todinha.
Fazer besteira é tão fácil quanto democrático. Não há diferença de classe social, credo, etnia, nacionalidade ou nível de informação.
Existem mulheres muito bem informadas e até formadas em direito que apanham do marido e não denunciam.
Quantos casamentos acontecem naqueles momentos de leseira e acertam-se compromissos antes de se pensar?
Quantos presidentes nós elegemos por acreditar que há empatia para com o público?
Infelizmente essas besteiras não servem apenas para divertir, se não todo Garotinho seria tão gente boa quanto esse que eu encontrei hoje.
Quer fazer alguém parar de roer a unha? Pede pra essa pessoa fechar os olhos. Quando ela fechar você pega o dedo dela e coloca no seu nariz. Essa eu aprendi com um médico. Ainda bem que o dedo não era o meu.
Hoje, nas minhas andanças de trabalho, eu vi um gatorinho de mais ou menos 3 anos catando a música Festa no Apê ao seu modo: "Hoje é festa lá no meu apê! Todo mundo é gay. Só faltá o Vanderlei."
Se alguém ensinou isso a ele eu não sei, mas nossa mente é capaz de conceber coisas daí pra pior por pura geração espontânea.
Veja aquele tipo de música que nunca fará parte da sua coleção e que nem por engano você irá baixar na rede. Basta alguém assobiar mal assobiado perto de você que você fica com o refrão o resto do dia na cabeça.
Quem não ficou repetindo dias seguidos a tal Florentina de Jesus?
Se gente chegar ao cinema com um atraso de meia hora, a gente só vai entender o enredo faltando quinze minutos pra terminar o filme, isso se a gente não se sentir tentado a assistir de novo pra captar tudo. Mas, sabe aquela novela que você detesta? Vendo uma cena você já sabe o que aconteceu e o que vai acontecer, sabe os nomes dos personagens e, se duvidar, até o nome autor.
Por que aprendemos mais piadas "sujas" do que piadas de salão? Porque simplesmente é mais fácil criar uma piada assim.
Há quem não saiba dizer um ai em inglês mas consegue cantadar Still loving you todinha.
Fazer besteira é tão fácil quanto democrático. Não há diferença de classe social, credo, etnia, nacionalidade ou nível de informação.
Existem mulheres muito bem informadas e até formadas em direito que apanham do marido e não denunciam.
Quantos casamentos acontecem naqueles momentos de leseira e acertam-se compromissos antes de se pensar?
Quantos presidentes nós elegemos por acreditar que há empatia para com o público?
Infelizmente essas besteiras não servem apenas para divertir, se não todo Garotinho seria tão gente boa quanto esse que eu encontrei hoje.
Quer fazer alguém parar de roer a unha? Pede pra essa pessoa fechar os olhos. Quando ela fechar você pega o dedo dela e coloca no seu nariz. Essa eu aprendi com um médico. Ainda bem que o dedo não era o meu.
Sábado, Julho 16, 2005
A lei é igual para os iguais
Está é a melhor definição para os trâmites judiciais no Brasil.
Embora haja prescrito na constituição federal que não pode haver diferenças quanto a raça, credo, classe social ou sexo ela não diz que a justiça será igual para todos. Quem estudou direito sabe disso.
A definição exposta na frase acima não é minha, mas de um juiz federal. O mesmo a dizer que no Brasil existem dois tipos de gente: os juizes federais e as outras altas autoridades, quem estiver abaixo disso não é gente. Disse e disse em público sem medo de qualquer processo.
A pizzaria já começou a ser decorada para as festas de encerramento da CPMI do Correios e a ainda não iniciada CPI do mensalão. Marcos Valério e companhia limitada já começaram as negociações de redução de sentença em troca de cooperação. Tá todo mundo com medo de que a justiça seja obrigada a revirar tudo de todos. E quando digo todo mundo é todo mundo mesmo, porque até a imprensa internacional tem ficado à margem dos acontecimentos, porque, se a moda pegar, outros paízes também irão ter que investigar os esquemas de articulações políticas que chega até aos foros internacionais, e todos sabemos disso.
Infelizmente só quem investiga o judiciário é ele próprio através de suas corregedorias, que encaminham os processos para serem julgados por, bem se são julgados só pode ser por juízes, né? Juiz só tem no judiciário, porque até juiz de futebol tá proibido oficialmente de usar este termo e juiz de paz nem existe oficialmente, existe tabelião, que é nomeado pelo... judiciário.
Enfim, fica como a marchinha do saudoso Lalá, "mexe, remexe, procuro mas não vejo, não sei se era pulga ou se era percevejo". E quem vai saber? Os ácaros do meu colchão é que não são. E vou nem mencionar muito isso pra não dar idéia, vai que alguém de Brasília lê isso.
No fim, as imunidades diplomáticas e os foros privilegiados irão ditar penas absolutamente brandas. O deputado das malas já explicou a origem do dinheiro, que pode não convencer, mas, como ninguém pode provar o contrário, tem-se que engolir. Pelo menos é melhor que a desculpa de dinheiro oriundo de prêmios de loteria dos anões do orçamento.
O assessor da cueca especial deverá ser condenado a recolher os impostos relativos à compra de dólares, se não apresentar nenhum recibo de doleiro e tá liberado.
A secretária do MV será incriminada por alguma coisa e vai sobrar até pra diarista nefasta que queimou documentos na displicência de confundir nota fiscal com papel higiênico usado, porque é crime ambiental queimar lixo no quintal, e vai entrar pros anais da história (e dela) a ser a primeira pessoa no Brasil a ser punida por isso.
E, depois das eleições 2006, em pleno ritmo de copa do mundo (vencendo ou perdendo), tudo vai ficar absolutamente normal.
E, depois de tanto estresse, políticos se reunirão no calçadão do Rio, em preparação ao Pan 2007, fazendo seu jogging, pra chegar em casa como garotinhos: de cooper-feito.
Embora haja prescrito na constituição federal que não pode haver diferenças quanto a raça, credo, classe social ou sexo ela não diz que a justiça será igual para todos. Quem estudou direito sabe disso.
A definição exposta na frase acima não é minha, mas de um juiz federal. O mesmo a dizer que no Brasil existem dois tipos de gente: os juizes federais e as outras altas autoridades, quem estiver abaixo disso não é gente. Disse e disse em público sem medo de qualquer processo.
A pizzaria já começou a ser decorada para as festas de encerramento da CPMI do Correios e a ainda não iniciada CPI do mensalão. Marcos Valério e companhia limitada já começaram as negociações de redução de sentença em troca de cooperação. Tá todo mundo com medo de que a justiça seja obrigada a revirar tudo de todos. E quando digo todo mundo é todo mundo mesmo, porque até a imprensa internacional tem ficado à margem dos acontecimentos, porque, se a moda pegar, outros paízes também irão ter que investigar os esquemas de articulações políticas que chega até aos foros internacionais, e todos sabemos disso.
Infelizmente só quem investiga o judiciário é ele próprio através de suas corregedorias, que encaminham os processos para serem julgados por, bem se são julgados só pode ser por juízes, né? Juiz só tem no judiciário, porque até juiz de futebol tá proibido oficialmente de usar este termo e juiz de paz nem existe oficialmente, existe tabelião, que é nomeado pelo... judiciário.
Enfim, fica como a marchinha do saudoso Lalá, "mexe, remexe, procuro mas não vejo, não sei se era pulga ou se era percevejo". E quem vai saber? Os ácaros do meu colchão é que não são. E vou nem mencionar muito isso pra não dar idéia, vai que alguém de Brasília lê isso.
No fim, as imunidades diplomáticas e os foros privilegiados irão ditar penas absolutamente brandas. O deputado das malas já explicou a origem do dinheiro, que pode não convencer, mas, como ninguém pode provar o contrário, tem-se que engolir. Pelo menos é melhor que a desculpa de dinheiro oriundo de prêmios de loteria dos anões do orçamento.
O assessor da cueca especial deverá ser condenado a recolher os impostos relativos à compra de dólares, se não apresentar nenhum recibo de doleiro e tá liberado.
A secretária do MV será incriminada por alguma coisa e vai sobrar até pra diarista nefasta que queimou documentos na displicência de confundir nota fiscal com papel higiênico usado, porque é crime ambiental queimar lixo no quintal, e vai entrar pros anais da história (e dela) a ser a primeira pessoa no Brasil a ser punida por isso.
E, depois das eleições 2006, em pleno ritmo de copa do mundo (vencendo ou perdendo), tudo vai ficar absolutamente normal.
E, depois de tanto estresse, políticos se reunirão no calçadão do Rio, em preparação ao Pan 2007, fazendo seu jogging, pra chegar em casa como garotinhos: de cooper-feito.
Sexta-feira, Julho 15, 2005
E as mulheres, hein?
Me explico de antemão sobre o linguajar usado aqui, mas, se pra escrever sobre administração a melhor linguajem é a da revista Você SA (por exemplo), pra falar de sacanagem...
Falar de safadezas de homens já virou lugar comum e dizer que homem não presta já virou chavão. Eu próprio já escrevi sobre isso em 17 de janeiro, tá lá no arquivo, se alguém quiser se conferir...
Mas, e as mulheres? Recentemente li num desses blogs aí da lista que as mulheres têm o direito de tomar a iniciativa e não mais agir como a donzela na sacada à espera do príncipe encantado. E os homens vivem imaginando que em círculos monossexuais rola mais putaria nas conversas de mulheres do que nas de homens. (?)
Uai, sexo é bom e todo mundo que já provou aprovou. Lembro de uma amiga virgem que me perguntou se era bom mesmo e eu, pra resumir, disse: - "filhinha, é melhor que comer quando tá com fome, beber quando tá com sede e dormir quando tá com sono, tudo junto." Errei?
Então, se nós, machos dominantes, temos a obrigação de gostar disso pra garaio por que nossas companheiras não? Aleluia!
Pois bem, se homem, estando acompanhado ou só, não pode se negar a cair numa cantada feminina, nós também pensamos que elas não têm opção de se negar a cair numa cantada estando elas só ou não.
Os pobres machistas "dominantes" pensam assim. Mas, se ela resolve pular a cerca não é levada a sério, é só mais uma putinha.
Homens gostam da idéia cornear outros homens, e se ela tiver uma companheira ele já quer logo as duas. Heim, heim?
Há até a máxima, mulher de amigo meu pra mim é homem, só como o cu. Ops!
E se nossas namoradas, quando estiverem bebendo em grupo sem a nossa presença olharem e se deliciarem ao olhar para os "pacotes" que cismam em passar pela frente delas? E se os donos dos pacotes lançarem aquele olhar underdog pra elas e elas flertarem só pelo flerte (ou não!)?
Então? É ou não é verdade que "if you love somebody set them free"?
Falar de safadezas de homens já virou lugar comum e dizer que homem não presta já virou chavão. Eu próprio já escrevi sobre isso em 17 de janeiro, tá lá no arquivo, se alguém quiser se conferir...
Mas, e as mulheres? Recentemente li num desses blogs aí da lista que as mulheres têm o direito de tomar a iniciativa e não mais agir como a donzela na sacada à espera do príncipe encantado. E os homens vivem imaginando que em círculos monossexuais rola mais putaria nas conversas de mulheres do que nas de homens. (?)
Uai, sexo é bom e todo mundo que já provou aprovou. Lembro de uma amiga virgem que me perguntou se era bom mesmo e eu, pra resumir, disse: - "filhinha, é melhor que comer quando tá com fome, beber quando tá com sede e dormir quando tá com sono, tudo junto." Errei?
Então, se nós, machos dominantes, temos a obrigação de gostar disso pra garaio por que nossas companheiras não? Aleluia!
Pois bem, se homem, estando acompanhado ou só, não pode se negar a cair numa cantada feminina, nós também pensamos que elas não têm opção de se negar a cair numa cantada estando elas só ou não.
Os pobres machistas "dominantes" pensam assim. Mas, se ela resolve pular a cerca não é levada a sério, é só mais uma putinha.
Homens gostam da idéia cornear outros homens, e se ela tiver uma companheira ele já quer logo as duas. Heim, heim?
Há até a máxima, mulher de amigo meu pra mim é homem, só como o cu. Ops!
E se nossas namoradas, quando estiverem bebendo em grupo sem a nossa presença olharem e se deliciarem ao olhar para os "pacotes" que cismam em passar pela frente delas? E se os donos dos pacotes lançarem aquele olhar underdog pra elas e elas flertarem só pelo flerte (ou não!)?
Então? É ou não é verdade que "if you love somebody set them free"?
Segunda-feira, Julho 11, 2005
Lojinha de conveniências
"Não entendo como algumas pessoas resolvem agir na ilegalidade se há muitas maneiras legais de ser criminoso." (Al Capone)
Ver exemplos de políticos, mega-empresários, comunicadores, artistas e toda sorte de gente que se chama hoje de celebridade que são condenáveis, embora sejam perfeitamente legais é muito comum.
Um desembargador conhecido meu bem disse, quando ainda era juiz, que "antigamente, o lema da justiça era dura lex sed lex, i.e, 'a lei é dura mas é lei', mas hoje o lema é dura lex sed latex, 'a lei é dura mas estica'".
Por isso que todos nós tememos que estes escândalos todos terminem em pizza, e sabemos que pra muita gente vai terminar mesmo assim, só vão pegar uns como bode expiatório.
Mas, e nós? Será que na nossa vida normal não agimos muitas vezes legalmente em detrimento da ética? Não nos cabe, de vez em quando, o ser chamado de cretino?
Um exemplo bem claro, para todo mundo que já esteve apaixonado já passou é, quando dizemos frases carinhosas ou mesmo juras e promessas só porque sabemos que é o que se quer ou espera ouvir, falamos pra "manter o clima" e até pra evitar uma briga ou pra não baixar a bola de uma pessoa tão dedicada e apaixonada. Essa máscara sempre cai, cedo ou tarde.
Também roubamos de nossos patrões quando chegamos atrasados por pura preguiça ou displicência, só pra dar o troco porque não sentimos que ele está agindo direito com a gente. Isso existe não só em empregos de baixos salários.
Cada vez que entramos numa fila estamos, no mínimo, torcendo pra que haja um conhecido em posição mais à frente pra nos oferecer uma carona, e não sentimos nenhuma culpa por roubar a vez de pessoas quem também têm o que fazer.
E ainda tem a famosa frase de Caetano Veloso "narciso acha estranho o que não é espelho", que explica muitas vezes quando chamamos alguém de idiota.
Eu sou assim, procuro fazer o que é melhor pra mim e para os que amo. E só depois é que vou me preocupar se está ou não afetando outra pessoa. Quando preocupo.
Não quero dizer que agimos assim sempre, mas que estamos sujeitos a fazê-lo uma vez ou outra.
Ver exemplos de políticos, mega-empresários, comunicadores, artistas e toda sorte de gente que se chama hoje de celebridade que são condenáveis, embora sejam perfeitamente legais é muito comum.
Um desembargador conhecido meu bem disse, quando ainda era juiz, que "antigamente, o lema da justiça era dura lex sed lex, i.e, 'a lei é dura mas é lei', mas hoje o lema é dura lex sed latex, 'a lei é dura mas estica'".
Por isso que todos nós tememos que estes escândalos todos terminem em pizza, e sabemos que pra muita gente vai terminar mesmo assim, só vão pegar uns como bode expiatório.
Mas, e nós? Será que na nossa vida normal não agimos muitas vezes legalmente em detrimento da ética? Não nos cabe, de vez em quando, o ser chamado de cretino?
Um exemplo bem claro, para todo mundo que já esteve apaixonado já passou é, quando dizemos frases carinhosas ou mesmo juras e promessas só porque sabemos que é o que se quer ou espera ouvir, falamos pra "manter o clima" e até pra evitar uma briga ou pra não baixar a bola de uma pessoa tão dedicada e apaixonada. Essa máscara sempre cai, cedo ou tarde.
Também roubamos de nossos patrões quando chegamos atrasados por pura preguiça ou displicência, só pra dar o troco porque não sentimos que ele está agindo direito com a gente. Isso existe não só em empregos de baixos salários.
Cada vez que entramos numa fila estamos, no mínimo, torcendo pra que haja um conhecido em posição mais à frente pra nos oferecer uma carona, e não sentimos nenhuma culpa por roubar a vez de pessoas quem também têm o que fazer.
E ainda tem a famosa frase de Caetano Veloso "narciso acha estranho o que não é espelho", que explica muitas vezes quando chamamos alguém de idiota.
Eu sou assim, procuro fazer o que é melhor pra mim e para os que amo. E só depois é que vou me preocupar se está ou não afetando outra pessoa. Quando preocupo.
Não quero dizer que agimos assim sempre, mas que estamos sujeitos a fazê-lo uma vez ou outra.
Sexta-feira, Julho 08, 2005
Erros e erros
Herrar é umano.
Esta frase, criada por universitários nos anos '70, mostra bem que há mesmo erros e há erros.
Ontem escrevi o primeiro poema autobiográfico em anos que não é depressivo. Embora termine o texto com o verso "porque sou o erro que conduz à prática".
Resolvi então escrever sobre os erros de nossa vida.
Quando eu ministrava aulas da área de gestão, no SENAC, eu, rei das frases feitas, terminei usando uma frase, no módulo de qualidade, que dizia assim: O problema não é o erro em si, mas a sua atitude diante dele.
E eu via que isso animava muito meu público.
Existem erros que são tão pequenos que nem vale a pena comentar. Melhor deixar pra lá. Não fede nem cheira, como se diz no popular.
Existem erros que, embora pequenos, geram confusões difíceis de contornar.
Existem erros que realmente são pequenos, a não ser para quem for afetado por ele.
Outros há que não têm correção, e vale até usar a máxima "o que não tem solução, solucionado está", que minha mãe sempre usava.
Existem erros que parecem insolúveis, daí, de repente, a pessoa mais tapada do escritório passa por trás de você, dá uma olhada de relance e diz, "olha aqui!" e pronto, você passa a se sentir a idiotice em pessoa por não ter notado o óbvio.
Há erros que, só porque foram cometidos por uma celebridade, se tornam acertos ou viram clássicos.
Há erros tão divertidos de mencionar que parecem ter sido obra de gênio.
Importante é não desanimar diante do erro. (Sem querer bancar um dos tapadozóicos gênios citados pelos sebraes da vida.)
Errou? E daí? Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.
Caiu? Levanta pra cair de novo! - era o que dizia papai.
Ou então, volta à prancheta e desenha de novo, e de novo, e de novo.
Quem nunca cometeu pecado que atire a primeira pedra.
E se aparecer alguma revista Mad da vida e resolver escrachar?
Esta frase, criada por universitários nos anos '70, mostra bem que há mesmo erros e há erros.
Ontem escrevi o primeiro poema autobiográfico em anos que não é depressivo. Embora termine o texto com o verso "porque sou o erro que conduz à prática".
Resolvi então escrever sobre os erros de nossa vida.
Quando eu ministrava aulas da área de gestão, no SENAC, eu, rei das frases feitas, terminei usando uma frase, no módulo de qualidade, que dizia assim: O problema não é o erro em si, mas a sua atitude diante dele.
E eu via que isso animava muito meu público.
Existem erros que são tão pequenos que nem vale a pena comentar. Melhor deixar pra lá. Não fede nem cheira, como se diz no popular.
Existem erros que, embora pequenos, geram confusões difíceis de contornar.
Existem erros que realmente são pequenos, a não ser para quem for afetado por ele.
Outros há que não têm correção, e vale até usar a máxima "o que não tem solução, solucionado está", que minha mãe sempre usava.
Existem erros que parecem insolúveis, daí, de repente, a pessoa mais tapada do escritório passa por trás de você, dá uma olhada de relance e diz, "olha aqui!" e pronto, você passa a se sentir a idiotice em pessoa por não ter notado o óbvio.
Há erros que, só porque foram cometidos por uma celebridade, se tornam acertos ou viram clássicos.
Há erros tão divertidos de mencionar que parecem ter sido obra de gênio.
Importante é não desanimar diante do erro. (Sem querer bancar um dos tapadozóicos gênios citados pelos sebraes da vida.)
Errou? E daí? Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.
Caiu? Levanta pra cair de novo! - era o que dizia papai.
Ou então, volta à prancheta e desenha de novo, e de novo, e de novo.
Quem nunca cometeu pecado que atire a primeira pedra.
E se aparecer alguma revista Mad da vida e resolver escrachar?
Segunda-feira, Julho 04, 2005
A vida como ela hehehe
Sou um sonhador, mas sou apaixonado pela vida real.
Acho muito bom estar em contato com pessoas, independente de conhecê-las ou não.
Trabalhando como agente de saúde pública tenho oportunidade de estar em contato com tanta gente, senitr tantas energias diferentes, surpreender tantas situações inesperadas e ter sempre novas idéias. Vale bem o chavão que aqui se ganha pouco mas a gente se diverte um bocado.
Dei um tempo nas fotos pitorescas porque o dono da máquina precisou. Mas, brevemente estarei com ela. E só pretendo publicar quando tiver um número bom.
Uma constante é ver pessoas indignadas com a situação política do país e do estado. Daí aproveito pra sabotar os políticos e insinuar a idéia do voto nulo. Vou seguir a tática da campanha boca-ouvido.
Outra coisa é ver a malária crescer em escala de 120 novos casos por dia e o secretário de saúde suspender a compra de medicamentos para os postos de saúde às custas de um aumento de 120% na gratificação dos médicos. E por falar em secretário, um dia uma dona de casa perguntou quem era, quando eu falei o nome ela soutou um ah bem longo e depois completou "eu conheço, meu filho estudou com ele na faculdade", e quando eu pensei que tava ferrado ela concluiu, "ele não presta mesmo. Num vale nada, o inmbecil!". Saí da casa de alma lavada.
Encontrei uma senhora que parece uma vovozinha de contos infantis, a princípio toda desconfiada (segurança pública aqui é outro problema), mas logo se abriu de sorrisos e atenção. Ela achava engraçado ter esquecido quantos anos tinha, mas tinha quase certeza de que havia passado dos cinqüenta.
Outro senhor, depois de abrir o portão me mostrou o pit bull dele, adulto e "simpááático"! Mas ele me tranqüilizou: "fica frio, depois que ele arrancar suas pernas ele para de morder". Mas, consegui sair ileso (e o fi-ó-fó virou um poro por três horas).
A gente vai a todos os lugares. Uma visita interessante foi a uma "casa de tolerância". Fui muito bem recebido e pediram que olhasse tudinho. Ai ai ai.
Numa certa casa vejo quatro mulheres de calcinha e sutiã (mulheres ficarem à vontade de sutiã em casa aqui em RO é normal, mas calcinha?) . Depois de olhar os depósitos de água uma pergunta: "o que mais você quer ver? Pode falar". Mininu! Quando eu tô saindo vejo umas doze crianças, cada um com uma cara diferente. A anfitriã advertiu logo: "calma! Não são todos meus, não. Tem filho das quatro aí". (?!)
Finalmente hoje fui interrompido por uma dona de casa que veio se desculpar pelo tratamento que deu a uma colega na sexta-feira. Ela pensou que era uma agente comunitária e que iria perder uma meia-hora com a visita e por isso não deixou a moça entrar. Isso é estranho, porque ninguém por aqui costuma pedir desculpas por ser grosso. Êta terrinha abençoada, essa minha!
Na vida real a gente vê de tudo. Tanta coisa que parece ficção. Mês passado encontrei a casa do saci: numa casa abandonada ele tinha esquecido um cachimbo. Esse saci!
Acho muito bom estar em contato com pessoas, independente de conhecê-las ou não.
Trabalhando como agente de saúde pública tenho oportunidade de estar em contato com tanta gente, senitr tantas energias diferentes, surpreender tantas situações inesperadas e ter sempre novas idéias. Vale bem o chavão que aqui se ganha pouco mas a gente se diverte um bocado.
Dei um tempo nas fotos pitorescas porque o dono da máquina precisou. Mas, brevemente estarei com ela. E só pretendo publicar quando tiver um número bom.
Uma constante é ver pessoas indignadas com a situação política do país e do estado. Daí aproveito pra sabotar os políticos e insinuar a idéia do voto nulo. Vou seguir a tática da campanha boca-ouvido.
Outra coisa é ver a malária crescer em escala de 120 novos casos por dia e o secretário de saúde suspender a compra de medicamentos para os postos de saúde às custas de um aumento de 120% na gratificação dos médicos. E por falar em secretário, um dia uma dona de casa perguntou quem era, quando eu falei o nome ela soutou um ah bem longo e depois completou "eu conheço, meu filho estudou com ele na faculdade", e quando eu pensei que tava ferrado ela concluiu, "ele não presta mesmo. Num vale nada, o inmbecil!". Saí da casa de alma lavada.
Encontrei uma senhora que parece uma vovozinha de contos infantis, a princípio toda desconfiada (segurança pública aqui é outro problema), mas logo se abriu de sorrisos e atenção. Ela achava engraçado ter esquecido quantos anos tinha, mas tinha quase certeza de que havia passado dos cinqüenta.
Outro senhor, depois de abrir o portão me mostrou o pit bull dele, adulto e "simpááático"! Mas ele me tranqüilizou: "fica frio, depois que ele arrancar suas pernas ele para de morder". Mas, consegui sair ileso (e o fi-ó-fó virou um poro por três horas).
A gente vai a todos os lugares. Uma visita interessante foi a uma "casa de tolerância". Fui muito bem recebido e pediram que olhasse tudinho. Ai ai ai.
Numa certa casa vejo quatro mulheres de calcinha e sutiã (mulheres ficarem à vontade de sutiã em casa aqui em RO é normal, mas calcinha?) . Depois de olhar os depósitos de água uma pergunta: "o que mais você quer ver? Pode falar". Mininu! Quando eu tô saindo vejo umas doze crianças, cada um com uma cara diferente. A anfitriã advertiu logo: "calma! Não são todos meus, não. Tem filho das quatro aí". (?!)
Finalmente hoje fui interrompido por uma dona de casa que veio se desculpar pelo tratamento que deu a uma colega na sexta-feira. Ela pensou que era uma agente comunitária e que iria perder uma meia-hora com a visita e por isso não deixou a moça entrar. Isso é estranho, porque ninguém por aqui costuma pedir desculpas por ser grosso. Êta terrinha abençoada, essa minha!
Na vida real a gente vê de tudo. Tanta coisa que parece ficção. Mês passado encontrei a casa do saci: numa casa abandonada ele tinha esquecido um cachimbo. Esse saci!
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