Quarta-feira, Agosto 31, 2005

Infame

Sabe aquelas coisas que seriam cômicas sa não fossem trágicas? Poizé.
Os caras que roubaram o meu notebook não conseguirão vendê-lo facilmente ou por um bom preço, por quê? Porque a bateria tava pifada e o bichin só funciona ligado à tomada; porque a versão do Windows era específica para o Toshiba Sattelite e se ele formatar (como é costume) não vai encontrar os drivers do cd-rom nem do modem; porque era velho e só tinha 4Gb de disco e 32 de ram, 640k de cache de disco e nenhum acelerador gráfico.

Falando em vontade de matar alguém... morreu o pai de uma prima de uma cunhada minha. Na volta do enterro meu irmão recebe um cartão de condolências da funerária Dom Bosco que tem como slogan "atendimento em família".

Incomodado com as fofocas e mexericos da minha equipe de trabalho eu aproveitei um ti-ti-ti que fizeram contra uma amiga que estava ausente e mandei uma mensagem pro celular dela contando tudo. Fofoqueiro, eu? Olha só: eu sabia que essa amiga é do tipo que vai atrás e arma barracos, barraco armado eu comprei a briga com um "disse mesmo e foi tu", pronto, meia hora de discussão e agora ninguém fala mais nada a não ser na cara, porque sabem (?) que vou contar. Hoje foi um dia tão lindo!!! Sorrisos falsos são melhores que sementes de discórdia.

O que seria da vida bandida sem coisas "nefastas" assim? Bem que seria bom não ter nenhuma desgraça com graça ou coisas lindas e ridículas, mas, pelo menos elas servem pra amenizar os espinhos das plantas que não têm flor. (vixi!)

Terça-feira, Agosto 23, 2005

Normando não é derivado de normal

Sou mesmo esquisito.
Sou um protestante convicto. Digo mesmo crente, participante da Igreja Presbiteriana do Brasil, mas um protestante questionador, não apenas um crentóide querendo participar de oba-oba ou querendo mostrar aos infiéis que vão pro inferno se não crerem em mim. Afinal, minha função como cidadão é ser bênção, não maldição.
Tenho ótimo relacionamento com pessoas dos mais variados cultos e credos. Conto piadas sujas sem remorso, porque elas servem muito bem pra animar um ambiente de vez em quando. Não costumo freqüentar shows de música gospel porque não curto muito esse estilo no Brasil, mas não perderia The Blind Boys of Alabama.
Participei recentemente de um treinamento de quase 4 meses sobre magnetização num centro espírita, e achei muito interessante em alguns aspectos, embora não acredite em reencarnação.
Sou cético a muita coisa, inclusive a paixões e declarações de amor, mas sou romântico ainda com acento circunflexo. Sou aquele cara que entrevista amigos e parentes da pessoa amada em segredo para lhe presentear com aquilo que ela realmente gosta, mas que nunca pediria diretamente. Descubro o prato preferido dela e faço-lhe um jantar surpresa. Digo coisas agradáveis e tudo mais.
Sou tão romântico que costumo dar dicas aos amigos inexperientes e desajeitados. Jamais perco a oportunidade de fazer um elogio sincero a quem quer que seja.
Mas, sei que sempre mentimos sinceramente para impressionar alguém. Gosto de contar vantagens, como todos da minha raça, afinal, a conquista não é apenas sedução, mas tem muito de apresentação, né?
Sou preguiçoso dentro de casa, mas tenho percevejos na cueca quando se trata de uma tarefa na casa de outra pessoa, no trabalho ou mesmo na igreja. Embora saiba muito bem dizer não se alguma atividade proposta ou pedida me pareça desnecessária ou prejudicial de alguma forma a mim.
Abomino tudo que pareça brega mas, paro no meio da rua pra escutar o solo final de Hotel California ou de Sultan of Swing.

Pode ser que tudo isso seja absolutamente dispensável ou sinal de que tem algumas engrenagens mal encaixadas em mim, mas, como diria meu pai, se você engarrafar merda sempre haverá quem compre.

Quinta-feira, Agosto 18, 2005

Algum dia conseguiremos nos conhecer bem?

Para alguns eu avisei que iria viajar e ficar fora uns dias, mas acho que com bem poucos comentei o motivo. Aos que se interessam, e isso não é uma justificativa, é um post mesmo, aí vai:
Estes textos que tenho escrito, e os comentários que tenho recebido, sem excessão, me ajudaram muito mais a crescer e que crescer não significa evitar meu complexo de peter pan.
Estive numa cidade tão fora do mapa que nem a própria prefeitura parece ter um mapa dela. No mapa do INCRA, o local onde fica a cidade de fato ainda está definida como zona rural, e o local onde seria a sede do município ainda é floresta.
Convidado para participar de um trabalho para ajudar pequenos produtores da região a usar outras técnicas de produção sem uso de queimadas ou derrubadas foi realmente desafiador. Muita poeira. Não. Vocês não estão entendendo, muuuuuuuita poeira. E fumaça provocada por uma queimada que foi espalhada pelo vento atingindo uma área do tamanho de Salvador (e isso é normal aqui). Fogo queimando árvores de 40metros de altura como se fossem palitos fósforo, passando pelo ar por cima de estradas e rios e se espalhando, espalhando.
Um trabalho que tinha que começar com uma conscientização ambiental, perceber que o governo não apenas incentivou a prática da queimada por muito tempo, ele de fato exigia que os colonos derrubassem a floresta de qualquer jeito para garantirem o direito de posse da terra, mesmo que nada se produzisse ali.
Mudar a cultura, mostrar que os produtos da floresta têm muito valor comercial, e que pode até mesmo ultrapassar o da chamada lavoura branca, que, nas terras que já foram devastadas há como manter a agropecuária sem derrubar mais, fazendo manejo de pastagem ou de florestas, e que há financiamentos a fundo perdido para recuperação de recursos naturais, i.e., sem ter que devolver o dinheiro aos bancos.
Tarefa estafante, estressante, discussões por vezes inflamadas e, no final, um projeto valioso que não se sabe se será aceito (esperemos até 10 de novembro), mas que trouxe nova forma de me enxergar, de experimentar a crueldade do meu próprio julgamento e a doçura que posso ter.
E, obrigado a vocês, perceber que sempre vale a pena estar na luta.

A vida realmente não é bela. Graças a Deus!

Sexta-feira, Agosto 12, 2005

Com lenço e sem documento

Não que eu seja fadado ao fracasso, mas já perdi cada uma tão bestamente que dá vontade de morder a própria bunda.
Foram derrotas por vezes simples, e acho que essas não foram menos dolorosas.
Desde aquela derrota que parece ter sido uma derrota pra mim mesmo. Como quando desisti de falar à Cláudia que ela era tudo o que eu queria na vida, porque, afinal, por conhecê-la bem sabia que eu não era o que ela precisava, honestamente.
Fracasso de quando eu não consegui convencer meus velhos que o basquete é o melhor esporte do planeta e que eu, apesar dos meus 1,71m era um armador a nível de seleção. (viu? marrento como um atleta profissional eu ainda sou!)
Por ser muito espontâneo e sarcástico fui reprovado em química no segundo ano mesmo conhecendo a matéria de cor. O professor colocou a turma toda de recuperação e meus velhos não acreditavam que eu não era vagabundo e, conseqüentemente, não pude viajar de Fortal a Itapipoca pra fazer a bendita prova.
Perdi a oportunidade de me formar em contabilidade por priorizar o casamento que não durou quatro anos.
E muitas outras derrotas, justas ou não, tanto por burrice minha ou simples escolha errada quanto por ter sido passado na perna.
Sacanagens que a gente sofre pela vida, por falsas amizades, por inimigos declarados, por nossa própria mente ou pouca competência.
Essas derrotas todas são mesmo necessárias? Mesmo que precisemos cair para aprender a ficar em pé, é mesmo mister(vocaulário! vocabulário!) passar por todas as derrotas que se passam pela vida?
Cometer erros é inevitável ao processo de aprendizagem, mas é necessário?
Será que todas as pessoas de sucesso cometeram mesmo menos erros que os joões-ninguém? Ou será que tiveram maior habilidade em corrigir?
Será que não existem os "chatos duns querubins" que Chico Buarque cantou? Ou que os tais berços de ouro não foram o determinante?

Sei que não serei cego à minhas derrotas e que quero, sim, brincar, com esses fantasmas nas noites de depressão e me alegrar como se eu fosse um expectador de um filme cinema que não consegue não rir das testadas nas portas, nem ficar sem apontar e dizer: Ih, se fudeu! Hehe!

Quarta-feira, Agosto 10, 2005

Ainda bem que existe justiça

Para os que pensam que esqueci daquele malfadado assunto de corrpução envolvendo o governador e a assembléia legislativa daqui de Rondônia, bem, não esqueci.
Esperei pra ver o que acontecia.
Relembrando:
- A AL iniciou uma investigação para o processo de empeachment do governador Ivo Cassol. O motivo era o Cassol ter alterado o orçamento sem permissão da casa.
No Fanplástico apareceu, de repente, uma matéria que mostrava vários deputados tentando extoquir o góvi. Um desembargador concedeu liminar proibindo a execução da reportagem aqui.
Deu o maior rebu. Piquete, bombas de fabricação caseira, pedradas, confronto com a polícia na frente da assembléia e no fórum. Mais e mais reportagens. O desembargador voltou atrás e cancelou sua própria liminar (inédito!).
Tudo começou a ser investigado e por todo mundo. Os MPs do estado e federal, o supremo e até o ministério da justiça pediram as fitas, a PF fez buscas na casa do Ivo e na AL. Aprendeeram materiais, divulgaram provas de superfaturamento e desvio de dinheiro na AL, o governador foi chamado pela comissão de ética do partido e não convenceu a própria legenda. Veio uma comitiva de senadores e deputados federais investigar pessoalmente.
E?...
Até agora ninguém foi indiciado, ninguém cassado, nenhum relatório oficial foi publicado.
A comitiva ameaçou processar o MP pela demora mas, houve acordo político e... E?... E?
Poizé!

Olha, hoje tem rodízio de pizza lá no Massa Leve. Alguém tá afim?

Segunda-feira, Agosto 08, 2005

Meu velho

Estava relutando em escrever sobre isso. Mas, sabe quando uma idéia fica choramingando do lado de fora e arranhando a porta até você perceber que não tem escolha que não seja deixá-la entrar?
Dia 4 de agosto teria sido o 72º aniversário do meu velho pai Chico Moura. Ele morreu há cinco anos e ainda estou aprendendo a falar nele no passado. Preciso aprender porque normalmente as pessoas ficam constragidas quando percebem que não está mais vivo.
Era um homem simples, pra um homem, porque pras mulheres nós sempre seremos complicados, né? (Ueba!)
Com o velho dele aprendeu a ser honesto e justo, e que surras e castigos devem ser usadas com justiça. E nos ensinou isso bem. E bem poucas surras que levei vieram dele.
Era racista e machista, mesmo assim sabia presentear e ser carinhoso.
Era racista e machista mas não deixava que isso atrapalhasse seus relacionamentos com amigos e filhos.
Era militar do exército onde aprendeu a ser mais ainda racista e machista, mas não se incomidava com os filhos gostarem de Chico Buarque, tropicália e PT, por causa do senso de justiça.
Era um homem que sabia dar conselhos e a quem sempre se podia recorrer em momentos de dificuldades. E não só os filhos, mas qualquer pessoa que se aproximasse. Se sentia honrado em ajudar.
Tipo caladão dentro de casa e tagarela na rua. Gene que deixou de herança à maioria dos filhos.
Nunca compartilhava os sonhos dele para conosco. Sempre respeitava nossas escolhas.
Somente quando permitíamos, ou se a urgência do caso fosse grande, ele dava sua opinião contundente sobre uma atitude ou decisão nossa.
Acreditava na educação e sofria muito com nossas derrotas nesse campo.
Aprendeu inglês e espanhol autodidaticamente e tinha uma sensibilidade muito apurada no trato com as pessoas.

Como qualquer um de nós era mutável e sua vida tinha paradóxos entre o ser e o agir. Meu velho era adorável e sabia ser calhorda. Vocês iriam se apaixonar por ele.

Terça-feira, Agosto 02, 2005

In love por eu mesmo

É... esses dias de falta de grana me forçam a pensar mais que escrever. Que perigo!
Nas minhas divagações descobri porque meu ânimo constante e minha habilidade de fazer palhaçada em (quase) qualquer circustância são frutos da minha paixão e amor incondicionais por mim mesmo.
Eu, ativo ou passivo, reto ou oblíquo, sempre me mantenho em alta depois da contabilidade de erros e acertos. E quando fecho em baixa num dia, nos outros compenso, de forma que é sempre um bom ivestimento pra mim investir em eu a médio e longo prazos.
No sábado ganhei mais um (o quarto) concurso literário da minha vida. Com um poema que seria apenas pra participar depois de um convite muito bem feito pelo Akeline. Claro que fiquei insuportável por... digamos... 96 horas?
O concurso seria de culinária também, e meu pudim "casamento amazônico" perdeu bonito. Mas, depois vieram perguntar se era eu mesmo que tinha feito o dito, porque tava bom demais, e claro que passei a receita e o segredo pra os dois sabores não se misturarem e permanecerem mesclados.
Ora, eu tô no zero a zero há mais de um ano, em se tratando de amor. Mesmo assim sei que não posso reclamar, porque eu bem que dispensei umas pretendentes "boazinhas". Afinal, mamãe e papai não fizeram isso tudo aqui pra qualquer uma, não. Demorei mas aprendi. E hoje comigo é, antes só que querendo ficar só. (já disse isso recentemente, né?)
Eu sou um cara magro e barrigudo, que mantém o apartamento em constante bagunça, que faz a barba quando quer (e mesmo assim ainda pensam que tenho uma idade inferior à real. dããã), não me incomodo mais em falar uma grande besteira porque sei que em algum momento vai sair algo que preste. Descobri que agindo assim recebo bem menos o rótulo de presunçoso do que recebia antes. Acho que porque não falo com ar de quem pensa ser melhor, mas porque sei que o sou.
Quero dizer que a melhor pessoa pra viver a minha vida é eu mesmo.
Não me comparo a outros, me comparo a eu em outros tempos e situações. Com isso aprendi a não me maldizer nem me fazer de vítima.
Não preciso ser o mais competitivo, nem aquela pessoa que vai agir com empreendorismo, apenas não serei bom, serei o melhor. Melhor pra mim e o melhor de mim que queiram pagar. E se querer! (como diria o Marcos)
Ganho pouco mais de um salário mínimo, trabalho andando no sol das sete ao meio-dia e todo mês conto com a ajuda financeira de parentes pra me sustentar e me considero uma pessoa de sucesso. Sei que minha situação financeira vai melhorar e se não melhorar eu vou pra debaixo da ponte contar histórias. E daí?

Ninguém vai aprisionar minha mente. E, papai, fique tranqüilo, não vou vender a alma ao diabo.