Quarta-feira, Agosto 30, 2006

E por falar em morte...

Num é que dois dias depois de sonhar com a minha morte eu ganhei um violão de presente?
Hehe
Meu mano Zé me liga e diz que eu preciso ir correndo lá, que ele tem algo a me dizer. Ele simplesmente me deu um violão profissional de presente, daqueles que tem que regular até a tensão do braço, com captador e eqüalizador. Veio com capa e alça.
Cai na risada quando pensei no texto que tinha escrito e que nem teria tempo de ir visitá-los. Ainda não terei, acho mesmo que só no próximo corujão. Me aguardem!
Sei que sou muito intuitivo, quase bruxo mesmo, mas jamais sonhei com algo que viesse a acontecer, meu negócio é ver o presente pelas entrelinhas, ou seja, ver o que tá na cara mas que não foi mostrado claramente. Por isso que termino sendo um bom conselheiro (preço: minhas paqueras viram discípulas. ai ai!)
Mas, não se zanguem, eu não escrevi sobre a morte de propósito, como eu já disse, os textos aqui mandam em mim, eles são publicados do jeito que querem, apenas com uma revisão ortográfica, mas sem rascunho, sem versão prévia.
Quem sabe um dia eu falo sobre o prazer de viver (o que eu duvido) e morro no da seguinte? Só pra ser surpreendente e sarcástico até na hora da morte.
Obrigado aos novos blogueiros que têm vindo aqui e que eu ainda não adicionei. Pretendo fazer isso ainda neste final de semana, antes de viajar de férias. Porque nelas quero escrever o suficiente pra eu não morrer de saudade.

Agora só falta regular o violão. Sabe? Fico me perguntando: pra quê tanta coisa digital se o mundo é analógico? Isso daria um bom texto pro Duck, hein?

Sábado, Agosto 26, 2006

Nossa Senhora da Boa Morte

Esta semana eu sonhei que morria.
Não sonhei que estava sofrendo algum acidente, mas eu era expectador de mim mesmo morrendo num leito de hospital por insuficiência cardíaca.
No sonho minha única perocupação era com meu "testamento". Eu pedia papel e caneta e deixava instruções claras sobre o que fazer. Deixava meus logins e senhas de e-mails, do blogger, do orkut e pedia a um dos irmãos que tomasse o cuidado de avisar a todos. Quanto aos filhos eu sei que naturalmente seriam avisados.
Lembrava também o que sempre digo a respeito de meu corpo: 1- Não façam velório: se quiserem se reunir pra chorar e lembrar de mim tudo bem, mas, sem ato fúnebre com caixão na sala; 2- Não me enterrem nem cremem: doem tudo o que for útil pra dar um passo nas filas de transplantes, o que sobrar que seja doado para uma faculdade de medicina, pelo menos assim terão um cadáver de quem se poderá saber o histórico.
Acho mesmo cemitério o maior desperdício de espaço da humanidade.
Há muito tempo que sei que sou descartável, afinal prefiro me sentir útil a me sentir amado, se bem que a segunda sensação é muito boa.
Uma amiga me explicou numa frase o que eu me perguntava sobre o porquê de eu saber se uma pessoa estava num extremo ou outro de felicidade, medo, tensão sem mesmo olhar pra ela. Minha amiga disse que eu sinto o coração das pessoas. Outras pessoas dizem que sou bruxo. Meu irmão espírita diz que sou sensitivo. Sei lá! Sei que gosto tanto de ajudar que muitas vezes atrapalho.
Me incomoda saber que alguém se preocupa comigo, embora esta sensação também seja muito boa. Mas, prefiro ser eu a pessoa a se incomodar.
Pelo menos, até em sonho tenho certeza de que não tenho medo de morrer, não quero é que alguém pague mico ou faça besteira. Meu senso prático pensa sempre em reciclagem e, como bom religioso cristão creio na vida eterna, e se ela não existir é uma coisa que não posso mudar, então pra quê me preocupar?
Não esquecia dos blogueiros, no sonho eu deixava uma mensagem como meu texto de despedida para estes meus amigos de quem adoro puxar o saco de vez em quando.

Como bom presbiteriano creio que ninguém morre de véspera, então...

Terça-feira, Agosto 22, 2006

Politicamente incorreto

Hoje em dia é pecado e até crime falar mal de índios.
Eles são os verdadeiros brasileiros! Foram explorados e dizimados pelo homem "branco"!
Tá, é verdade, mas como já dizia a mpusica, o buraco é mais em baixo.
Mas, conhecendo de perto, morando na amazônia e até conhecendo pessoalemente muitos indígenas de varias etnias e até algumas aldeias, dá pra saber porque muita gente tem raiva desses povos. Não digo raça porque de fato a raça deles é a mesma nossa: humana!
Não concordo com a visão do código civil (constituição?) de que os "silvícolas" não tenham capacidade de decidir sozinhos sobre suas vidas, sobre o que seja certo ou errado e portanto sejam considerados "relativamente capazes".
Eles são ótimos comerciantes e têm mais noção de seus direitos que a maioria dos brasileiros classificados como "homem branco". Tanto que eles reclamam quando há algo de errado e não desistem até conseguirem o que querem.
E antes que alguém diga que não tá entendendo porque estou defendendo-os se o início do texto dá a entender que vou falar mal deles, lá vai:
Se quiserem qualquer coisa mínima, eles prendem funcinários da funai e da fns sob ameaças e humilhações.
Eu costumo dizer em círculos de amigos que "índio só é gente na televisão".
Se você chegar de surpresa a uma aldeia ( o que é difícil, porque eles percebem a presença de estranhos muito facilemente), vai ver cabanas com som, televisão, antena parabólica, celulares e carros importados. E não em poucas aldeias. Se você tiver uma câmera, então, ela será prontamente confiscada.
Essas imagens de índias com os seios de fora, todo mundo pintado, usando tangas, etc, você só vê em visitas programadas, e para programá-las tem-se que pagar uma taxa como em qualquer parque temático. Afinal, é a profissão deles. Ou uma delas.
Deve-se programar antecipadamente e então eles mudam os aparelhos eletrônicos, ou, em alguns casos mudam as pessoas para a aldeia-cenário, porque morar mesmo, moram muitas vezes em aldeias muito bem estruturadas.
Índios hoje são muito bem organizados em cooperativas e exportam em escala crescente produtos da floresta e minerais. Quando se vê minerador morto em aldeia leia-se "mortos porque reclamaram da exploração que os índios os submetiam".
Como nós, são pela lei do menor esforço e como a maioria dos comerciantes é completamente capitalista até na sonegação de impostos e de encargos sociais.

Que eles tenham a liberdade que merecem como cidadãos, sim, e que paguem impostos, sejam obrigados a manter as condições de saneamento mínimas e, principalmente, que respondam judicialmente pelos seus atos e suas omissões!

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

Mais essa, agora...

Minha mãe sempre ensinou que temos que tomar um xícara de chá semancol todos os dias logo pela manhã.
Infelizmente tem muita gente que não recebeu ou seguiu esta orientação.
Coitado do meu irmão Márcio (não confundir com Marcos, hein?), que chega de viagem domingo. Esteve em viagem de férias em Mossoró e Fortaleza com a família. Eu fiquei aqui bancando o pastor alemão. Ao contrário da batcaverna eu arrumo isso aqui diariamente.
Daí vem uma amiga (?) da família me ligar e dizer:
- Olha, a Juci (minha cunhada) chega domingo. Tu faz o almoço que eu vou buscar eles no aeroporto e a gente almoça aí.
Bem, "a gente" significa Márcio, Juci e Mateus (a família), eu, a "ursa", o marido da ursa, a filha da ursa, a cunhada da ursa, as duas sobrinhas da ursa, a mãe da Juci e, já que vem essa turma toda, terminaram convidando a Dalila e o marido.
Bem, que eu saiba, quem chega de viagem, especialmente quando a viagem é de 12horas entre embarque, pressurização, despressurização, pousa, sobe, pousa, sobe, toma chá de cadeira em Brasília, sobe, desce, sobe, desce, pressuriza, despresuriza, pressuriza... até finalmente chegar aqui, creio que o pessoal quer mais é dormir, tomar banho e desfazer as malas, não necessariamente nessa ordem.
Mas, a ursa não pensa assim, se não viesse no almoço viria as 7 da noite pra irem comer pizza.
Tá, também estou com saudades, mas pode-se bem esperar chegarem darem um telefonema dizendo, "pronto, chegamos", né?
Como a Juci foi pega no contra-pé e não teve tempo de dizer não (a ursa é incrível, vocês precisam ver), eu vou fazer o almoço (yakisoba e macarronada porque uns são frescos e o Márcio gosta de macarronada), deixar tudo pronto e cair fora assim que eles chegarem e eu entregar a casa e fizer o relatório dos acontecidos e correspondências.

Eu, hein?!

Terça-feira, Agosto 15, 2006

Pimenta aonde, hein?

Pois é, a gente fica ouvindo as autoridades na tv dizerem que não se negocia com terroristas, vê os filmes exibirem esse conceito, houve a polícia dizer que dar o que os seqüestradores pedem não é garantia de liberdade, etc.
Mas, a Rede Globo está há três dias dizendo que fez a coisa certa e que todo mundo inclusive as seguradoras, polícias, etc, etc e (é claro) et-cétera dizerem que ela fez mesmo a coisa certa.
Bem, não discordo com ela, mas é bom eles começarem a perceber que ninguém é intocável.
Há também outras falhas na segurança. Os caras lancham bem em frente à emissora sabendo que não é de hoje que repórteres são visados por bandidos e o fazem costumeiramente. Isto é regra básica de segurança: não façam o mesmo itinerário todo dia.
Bem, no debate da Band os candidatos com menos chances aproveitaram para atacar Alckmin e duvidar da competência de Lula contra o crime politicamente muito mais organizado que os três poderes oficiais da República.

E vamos nóóóóssss!!!

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

O quê que eu tô fazendo aqui?

Não tenho pai e não sou pai. Pelo menos não mais.
Já se passaram seis anos da morte do meu pai e oito da minha separação.
Meu velho, que continua sendo meu velho, não vai mais receber abraços meus nem terá a oportunidade de me ouvir dizer, parabéns. Não haverá mais festa dupla neste dia, já que seu aniversário era dia 04 de agosto. Havendo vida após a morte não nos veremos mais nesse tipo de relacionamento.
Meus filhos, depois da separação tiveram o último contato comigo antes do carnaval de '99, quando se mudaram, primeiro pra Humaitá e depois para Cariacica, e mesmo antes disso o caçula já não me chamava mais de pai por influência da mãe. Mas, isso realmente não me afetou.
Segundo minha mãe, o último dos filhos de quem o velho se lembrou antes de perder a consciência foi eu e suas palavras foram "cuidem do Normando (tadinho)" e suas últimas palavras dele comigo foram seis meses antes da sua morte e demonstrava não acreditar numa possibilidade de sucesso meu.
Desde adolescente eu tenho em mente o conceito de que pai e mãe é quem cuida, não quem põe no mundo, e agora estou na segunda parte da minha sentença. Willy e Victor têm um novo pai que os ama e cumpre perfeitamente o papel de pai tanto no cuidado quanto no exemplo de cidadão. Graças a Deus.
Meu velho tinha motivos pra não acreditar em mim e meus herdeiros pra não me amarem. Cumpro fielmente minha obrigação de remeter a pensão e só.
Não quer dizer que não os ame, o velho e os guris, mas (de uma forma ou de outra) não pude ajudar um na fase da vida em que mais precisou de ajuda e apoio nem participo da criação dos outros.
Não ajudei materialmente nem tinha condições financeiras de ligar ou estar perto. Não ajudo a criar porque há pontos na forma de educar da Eloina que eu não concordo, mas, à maneira dela estão bem nos estudos e na saúde.
Quanto ao meu velho não posso dizer mais nada. Quanto aos meus filhos, aguardo a possibilidade e o momento certo de nos revermos quando estiverem adultos ou quando eles quiserem (se quiserem).

Podem atirar.
E, a própósito, feliz dia dos pais aos que têm e aos que são! (homens e mulheres)

Quarta-feira, Agosto 09, 2006

E por falar em crise

Falar de doença, morte, assalto. Discutir política, religião, futebol. Suportar colega de trabalho com rifa, receber "convite" de chá de panela e baby chá de pessoas que nunca lembram de te ligar no aniversário. Disso tudo ninguém gosta (minto?).
Pois é, uma das características deste blog quando eu deixei de postar meus poemas e passei a fazer esses textos de improviso era essa, a de abordar temas que ninguém gosta muito sem ser piegas e com bom humor.
Como já dizia a música: "faça rir". Rir de coisas engraçadas e tristes. Meu jeito palhaço me faz satirizar sobre quase tudo, até sobre minhas leseiras.
Nesses dias eu estou hospedado na casa de um dos meus irmãos, o Márcio, que está em viagem de férias com a família. O que há de ruim é que o bairro é conhecido por ser alvo de assaltos domiciliares, fica há 10km da minha casa e da área onde trabalho, não dá pra ir pra corujão nem de passar a noite fora, pra receber amigos tenho que escolher quem, quando e a que horas porque a vizinhança se conhece há muito tempo e todo mundo, até sem querer, termina reparando na vida de todo mundo e agora tenho duas casas pra arrumar. O que há de bom é que o carro ficou o que facilita quando tenho que resolver alguma coisa no centro ou ir à universidade (que fica fora da cidade), a casa é bem confortável e posso me sentir útil para o irmão que tem sido o maior elo de ligação com toda a família, além de ser uma família amiga e hospitaleira sem esperar nada em troca.
Ainda bem que o vigia me acha a cara do meu irmão e não precisou me barrar quando chego em casa de noite.
Vocês podem perguntar pra quê eu quero corujão se tem banda larga, é porque na lan house não tenho que me preocupar com vírus. Ainda bem que nesses dias a lan house não teve corujão por falta do mínimo de dez pessoas.

Não esqueci da política nem dos assuntos sociais, mas, o assunto social que mais me diz respeito é minha vida.

Segunda-feira, Agosto 07, 2006

Bôto? Sei.

A lenda do bôto, que sai do rio nas noites de lua cheia e engravida mocinhas é conhecida até fora do Brasil. Mas, a mocinhas agora estão no comando.
A prostituição infanto-juvenil é pública e notória em algumas regiões. Na amazônia, sobre tudo nas comunidades ribeirinhas já foi assunto até de programas de televisão nacionais. Infelizmente é verdade e na tv não se mostrou tudo.
Na vila de São Carlos, uma comunidade com cerca de 700 habitantes no baixo-Madeira, cerca de 2 horas de lancha, existem dois bares chamados Toba´s Beer e Xana Bar, um ao lado do outro, freqüentados pelos bêbados locais, por barcos em trânsito e por garotas da comunidade.
Para quem não sabe ou ainda não entendeu os nomes na gíria significam, respectivamente, cu e buceta em seus significados mais vulgares.
Nessas vilas (porque São Carlos não é excessão, é apenas a mais famosa da região de Porto Velho nesse tipo de atividade competindo com Calama) a iniciação sexual feminina ocorre por volta dos nove anos de idade, antes mesmo de iniciar a puberdade em algumas. No posto de saúde a droga que mais sai é o levonorgestrel, conhecida como a pílula do dia seguinte, adivinha porquê?
Ainda assim ocorrem muitos casos de gravidez em adolescentes solteiras. Boa parte no famoso golpe da barriga, ou porque as meninas querem esconder das mães, que fazem questão de ser cegas.
Os bares têm seus nomes registrados e as autoridades sabem e acham graça. Acham que faz parte da cultura popular, e faz mesmo, porque gostam e todos sabem o que é isso.
No livro de um jornalistazinho acreano sobre termos populares, mais da metade são vulgares e obscenas e seu lançamento foi festejado, teve patrocínio do governo daquele estado e o autor até participou do Programa do Jô. Sei que há problemas semelhantes em outras regiões, mas não vou falar da casa dos outros.
Prostituição não é crime, a menos que seja infantil ou cafetinada. Bem, o bordel mais caro de Porto Velho, que até promove leilões de virgens, é frequëntado por gente importante.
Não estou atacando as prostitutas nem falando mal do governo, nós também temos que investir em cultura. Mas, é verdade sim que muitas meninas se prostituem não pelo jargão da pobreza, mas porque gostam mesmo e porque, pra entrar na profissão não se exige diploma.

E o ditado popular daqui diz: "Nunca vi puta pobre, cafetão sem cigarro nem garçon sem gorjeta."

Sábado, Agosto 05, 2006

Médi-Maria

Vocês lembram da minissérie Mad Maria?
Pois é, o Marcos até comentou sobre o autor, Márcio de Souza, com quem eletrabalhou no teatro em Belém.
Sabem o que mudou na estrada de ferro das filmagens até hoje? Nada.
Parece que a corrupção em Rondônia não é apenas na Assembléia Legislativa. Desde antes das gravações a Rede Globo e a Fundação Roberto Marinho entraram em acordo com o governo do estado e com o pessoal dos patrimônios culturais do Brasil e da ONU para restaurar a estrada de ferro, algumas locomotivas, reestruturar o museu e montar uma estrutura turística no local. Houve até verba do Ministério da Cultura.
Bem, a grana veio e nada foi feito. Tão logo terminaram as filmagens o local foi abandonado. O único trabalho feito na área foi, ainda no inverno amazônico, um controle da malária no local por exigência da FUNASA.
No prédio do museu, está funcionando a biblioteca pública temporariamente há cinco anos para reforma do prédio dela, que desde sua desocupação virou ponto de viciados, e olha que fica ao lado da vila dos oficiais do exército.
Esta semana chegou a ser noticiado que a reforma finalmente iria começar. Mas, ontem, após a prisão do Carlão de Oliveira e de um bando de outros e mais outro bando ainda sob investigação em todos os níveis dos governos estadual e municipais, não será de estranhar que a obra pare na garagem de novo.
A Justiça Federal tem pressionado mas não saiu nenhuma determinação, o que também é de estranhar, uma vez que as verbas federais já foram depositadas há tempos.

Assim, em rondônia deve rolar uma pizza dos laranjas na beira do rio.