... melhor casar que viver abrasado.
Palavras do apóstolo Paulo orientando aos que querem se dedicar à Obra.
Bem, há duas semanas estive no casamento de um casal admirado por todos que os conhecem.
A organização estava impecável, exceto por alguns padrinhos que querem aparecer e acham que têm o direito de roubar a cena e não se vestir adequadamente. Esquecem que todos, num casamento tradicional ocidental, são coadjuvantes exceto os noivos (leia-se a noiva e seu consorte, nessa ordem).
Marcha nupcial de Mendhelson, como quase sempre, tocada arrastadamente e não em allegro, como é o ritmo normal da partitura (por isso que ninguém chega a conhecer os outros sete movimentos!), entrada de doze casais de padrinhos, daminha, porta-alianças, pajenzinho, todos lindinhos como que feitos de porcelana holandesa.
Daí os micos que só se pagam em casamento. Duetos vocais desafinados e mal ensaiados, o que justifica nenhum produtor musical descobrir talentos em casamentos.
Mas, tudo bem.
O orador, que é meu amigo e um excelente teólogo, faz a introdução perfeita: cita Eclesiastes (não confundir com Eclesiático, esse é outro livro e só consta do cânon romano) capítulo 4, onde diz "não é bom que homem esteja só, porque havendo dois, se um cair o outro o ampara, e havendo dois numa cama um aquecerá o outro, ..." maravilhoso!. Poder-se-ia terminar por aí, já que levou uns cinco minutos e depois de toda correria e nervosismo que antecede um casamento para noivos e suas famílias, seria um ótimo presente. Mas, o preletor resolveu se alongar.
E que alongamento! Falou quase 35minutos, e descontado o atraso da noiva, a cerimônia durou 1:15 minutos da entrada do noivo ao início do cortejo de saída.
Mas, o mais grave veio justamente na mensagem (e ainda bem que dizem que ninguém presta atenção no discursos nessas ocasiões - mas, parece que eu sou mesmo do contra). O Pastor, que é meu amigo e ótimo teólogo, mas que não é imune a erros, falou sobre intimidade o tempo quase todo, e sempre que uma citação poderia ter conotação sexual ele esclarecia logo de que estava tratando de intimidade como compromisso, não como sexo. Ótimo, sexo não é tudo num casamento, embora seja mesmo muito importante. Mas, de repente, ele se anima e num acesso de "num vô falá, num vô falá, num vô falá... vô falá!" e solta um "vocês jovens solteiros que querem muito fazer sexo, melhor casar antes!"
Ai, ai, ai! Assim, se os jovens resolverem seguir este conselho, em breve teremos muitos casamentos infelizes. O mesmo Paulo citado no início do texto diz, em outro texto: "foge, outrossim, das paixões da tua mocidade".
Sexo em si não é pecado e casamento não foi feito pra isso.
Terça-feira, Julho 03, 2007
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