Quarta-feira, Julho 16, 2008

Normando Münchausen de la Mancha

Tanta coisa já aconteceu, já morei em tantos lugares, já passei por tantas situações que parece que sou mais anormal que os outros. Mentiras e verdades se confundem, então, só posso roubar a fala de Chicó e dizer: "Só sei que foi assim!"
Filho de militar do exército em pleno regime militar nasci em Rondônia quando ainda era território federal, antes da constituição de 69; e antes de aprender a andar já tava morando em Maceió. De lá pra cá vieram e foram Porto Velho, Belém, Fortaleza, Itapipoca, Porto Velho, Rio Branco, Itapipoca, Rio Branco e Porto Velho. Várias casas em cada cidade.
Da primeira série ao terceiro ano foram 9 escolas diferentes tendo só uma reprovação. Houve ano que iniciei numa escola e terminei noutra sem ter sido expulso.
Já trabalhei como bancário, programador, ajudante de cozinheiro, palhaço, gerente, agente de saúde, suporte técnico de informática, digitador, tradutor/intérprete, motorista e professor de informática, secretariado, etiqueta social, ética, qualidade e canto. Isso entre empregos formais e informais.
Beijei muito, fiz muito sexo, namorei muito, passei a mão em muitas bundas e tudo isso muito menos do que eu queria.
Casei uma vez mas estive noivo três, tenho dois filhos, um adotivo e outro biológico do espírito santo. É, também sou corno.
Já fui chamado de mentiroso, chato, arrogante, metido, presunçoso, tagarela, gênio, bruxo, esperto, viado, mulherengo, inteligente, sonhador, autista, maluco, falso, sonso, maconheiro, magricela, barrigudo, narigudo, simpático, charmoso, feio, interesseiro, de me fazer de vítima e lindo.
Isso tudo me ensinou a ter menos paciência do que quero e mais do que muitos têm, a entender as coisas sem que me forneçam explicações completas, a fingir que sei para fazer os que dependem de mim se sentirem seguros, a achar saída pouco convencionais para problemas não-convencionais, a entender o lado mais esquisito de uma história inverossívil, a ter bom vocabulário, a assistir filmes em fast forward, a perceber que palavrões podem ser muito úteis e que vícios podem ser melhores que máscaras (algumas vezes), a passar apertos sem encher o saco das pessoas e a guardar o orgulho na gaveta pra pedir ajuda.
Agora estou indo definitivamente morar com minha mãe pra uma nova e suis gêneris vida até o fim dela (da vida, não da mamãe!).

Definitivamente até que o mundo gire pro outro lado de novo.