Terça-feira, Outubro 07, 2008

Votar é um direito?

Se é direito você pode abdicar dele, né não?
Mas, se você não votar será punido.
Se houvesse justiça eleitoral de verdade no Brasil várias coisas teriam que funcionar diferentemente.
Primeiro, o voto seria opcional. Já que os presidenciáveis vivem dizendo que já somos um país desenvolvido no tocante à tecnologia, ciência e economia, poderíamos ser como todos os países desenvolvidos, onde o voto não é obrigatório em qualquer um deles.
Segundo, também como nos países desenvolvidos, não haveria dinheiro público usado nas campanhas.
Terceiro, como processo democrático que dá ao cidadão o direito de se expressar livremente, o voto branco deveria mesmo significar que o eleitor tá dizendo "me calo, portanto, consinto." e o nulo, "nenhum deles me serve. Tem mais nenhum, não?" e deveriam ser computados como válidos, afinal a opinião é válida, mesmo que não seja do agrado de ninguém, desde que não seja criminosa.
Quarto, o candidato não poderia obrigar a gente a ouvir suas propagandas, musiquinhas e ter as caixas de correspondêcias e jardins recheados de folhetos, folders, flyers e santinhos, porque isso é crime ambiental e derruba-se muita árvore além de contaminar o solo com tintas feitas com metais pesados. Até candidato do partido VERDE polui (e muito) o som, o solo e sobrecarrega o trânsito - quanta incoerência!
Quinto, as campanhas deveriam ser obrigatoriamente pra mostrar, item por item, as propostas de campanha e, jamais, pra dizer que os outros não prestam, divulgar jingles ou mostrar eleitor remunerado pra dizer "nesse você pode confiar!".
Sexto, o voto de legenda deveria ser válido só pra quem vota na legenda; assim, um Enéas não iria levar consigo um zé-ruela que num teve maioria dos votos nem no seu colégio só porque tá na mesma legenda que o dono do partido. Quem quisesse votar na legenda, tudo bem, isso é democracia, ele num sabe em quem votar mas acredita no partido.
E, finalmente sétimo, o político e seus assessores, bem como os familiares, teriam seus sigilos telefônicos, fiscais e financeiros abertos espontaneamente desde o lançamento da candidatura até cinco anos depois de deixar o cargo (ou acabar a eleição no caso dos não-eleitos) e, se optassem por receber salário do cargo público, teriam suspensos os salários públicos no caso de funcionários públicos e só teriam aposentadoria com o mesmo tempo de salário declarado que qualquer cidadão, afinal, o verdadeiro líder, lidera pelo exemplo ou não?

Por isso, vou continuar votando nulo até que haja realmente justiça eleitoral.